A Polícia Federal recuperou neste domingo (16) um jato de aproximadamente R$ 117 milhões ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso por suspeita de fraude no Banco Master. A aeronave, encontrada em Assunção, no Paraguai, chegou ao Aeroporto Internacional de Brasília após tratativas entre as autoridades dos dois países.

Segundo a Polícia Federal, a operação teve apoio da Adidância da PF no Paraguai e da Secretaria Nacional Antidrogas paraguaia (Senad). O avião foi localizado no sábado (15) e retornou ao Brasil no domingo.

A aeronave, com capacidade para 16 passageiros e autonomia de 12.500 km, está registrada em nome da Viking Participações, uma das empresas de Vorcaro. Não havia ordem específica de apreensão do avião, mas a Justiça já havia determinado o sequestro dos bens do banqueiro.

A aeronave será submetida às medidas judiciais cabíveis, segundo a Polícia Federal.

O rombo que já custou R$ 51,8 bilhões

Vorcaro é o principal acionista do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 por suspeita de fraude.

O rombo deixado pelo Master, pelo Will Bank e pela Pleno no Fundo Garantidor de Créditos (FGC) chegou a R$ 51,8 bilhões, o maior da história do fundo.

O valor é 58% maior que o do Banco Nacional em 1995, cujo prejuízo corrigido pela inflação foi de R$ 32,8 bilhões, até então a maior liquidação bancária do país.

Segundo análise da CNN Brasil, o custo tende a ser repassado indiretamente ao consumidor bancário. Os bancos fizeram um aporte extraordinário de R$ 32,5 bilhões ao FGC para repor o caixa do fundo até 25 de março.

Duas prisões e um histórico de voos para o Paraguai

Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025, quando tentava embarcar em outro jato rumo a Dubai.

Ele conseguiu habeas corpus e passou a cumprir prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, proibido de deixar o município onde mora e sem o passaporte.

Em março deste ano, foi preso de novo, na Operação Compliance Zero. Segundo o portal MidiaMax, uma aeronave da mesma holding Viking fez 16 voos internacionais entre o Brasil e Assunção depois dessa segunda prisão, apesar de ordens judiciais que bloqueiam a venda do jato.

O que ainda falta explicar sobre os voos

A ordem judicial bloqueava a venda do jato, mas não impedia que ele continuasse voando entre o Brasil e o Paraguai. Se esse tipo de bloqueio vai ser revisto é pergunta que o andamento do processo ainda vai responder.