A nova rodada de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros — apelidada de "tarifaço 2.0" — atinge cerca de US$ 7,4 bilhões em exportações do país, o equivalente a 18% de tudo o que o Brasil vende ao mercado americano. A sobretaxa adicional de 25% já está em vigor, e outra parcela de 12,5% deve ser aplicada nos próximos dias.

Quais setores são mais atingidos

Segundo estimativas do governo, os segmentos mais afetados pela medida são o madeireiro, o calçadista e o açucareiro. Por outro lado, ficaram de fora da sobretaxa produtos considerados sensíveis também para o mercado dos EUA — casos da laranja e seus derivados, do café solúvel, do mel, do alumínio, do ferro-gusa, de veículos e de semicondutores.

A resposta em estudo: Lei da Reciprocidade

O governo brasileiro ainda não definiu se vai retaliar, mas avisou que pretende usar a Lei da Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso no ano passado. A norma estabelece critérios para suspender concessões comerciais em resposta a práticas unilaterais de outro país que prejudiquem a competitividade da economia brasileira. Antes de qualquer decisão, o Planalto afirma que quer ouvir os setores atingidos.

Plano Brasil Soberano é ampliado

Para amortecer o impacto, o Plano Brasil Soberano — criado no ano passado para socorrer os setores afetados pela primeira rodada de tarifas — será ampliado. A primeira versão, de 2025, disponibilizou R$ 16 bilhões às empresas; a nova etapa, anunciada em 2026, recebeu orçamento de R$ 21 bilhões. Entre as cadeias beneficiadas estão fertilizantes, minerais estratégicos, produtos químicos, medicamentos, têxteis, veículos, equipamentos eletrônicos e máquinas.

Por que a reação deve ser cautelosa

A avaliação predominante é de que pouco deve mudar até a eleição de outubro: o governo tende a priorizar a defesa dos setores atingidos e a busca por novos mercados, em vez de uma escalada comercial direta com Washington. O uso da Lei da Reciprocidade, embora seja um instrumento legal disponível, embute o risco de retaliações em cadeia — motivo pelo qual o Planalto trata a medida como último recurso.