Milhares de mulheres negras ocuparam a orla de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, na manhã deste domingo (26), na 12ª Marcha das Mulheres Negras do estado. A concentração começou às 10h, na altura do posto 2, e reuniu famílias inteiras, com crianças, grupos artísticos e coletivos de todo o estado.
O lema desta edição foi "mulheres negras do estado do Rio de Janeiro, em defesa da democracia, contra o racismo, por reparação e bem viver". A data não é casual: o ato foi realizado um dia depois do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e do Dia Nacional de Tereza de Benguela, celebrados em 25 de julho, e integra o Julho das Pretas, calendário de mobilizações que se espalha por vários estados.
PEC da Reparação é a principal bandeira
A pauta central da mobilização deste ano é a PEC 27/2024, conhecida como PEC da Reparação. A proposta inclui o direito à igualdade racial no texto da Constituição e cria o Fundo Nacional de Reparação Econômica e Promoção da Igualdade Racial, com recursos destinados a políticas voltadas à população negra. O movimento cobra que o Congresso pauta o texto.
"Fazer escuta das mulheres negras e colocar o racismo como pauta estrutural da sociedade", resumiu Clátia Vieira, coordenadora do Fórum Estadual de Mulheres Negras do Rio de Janeiro, entidade que organiza a marcha. Além da PEC, as manifestantes pediram políticas de enfrentamento às desigualdades históricas, segurança pública sem violência racial e acesso a saúde, moradia e trabalho.
A educadora Bárbara Carine, uma das vozes do ato, afirmou que a marcha é "momento de celebrar avanços, mas principalmente olhar para um futuro de bem viver" — conceito que orienta a pauta do movimento e propõe qualidade de vida coletiva no lugar de indicadores puramente econômicos.
Marielle Franco lembrada na orla
O nome de Marielle Franco, vereadora assassinada em março de 2018 no centro do Rio, apareceu em faixas, camisetas e discursos ao longo da caminhada. Marinete Silva, mãe da parlamentar, participou do ato.
A programação também teve apresentações de grupos como Afrolaje, Angoleiras e Obara Ylê de Ouro, com rodas de capoeira e manifestações de matriz africana ao longo da orla. Não houve registro de incidentes.
A Marcha das Mulheres Negras é hoje uma das maiores mobilizações do movimento negro no país. A edição nacional, realizada em Brasília, reuniu multidões em 2015 e voltou às ruas em 2025; as versões estaduais, como a do Rio, se consolidaram como etapas anuais dessa articulação.












