Morreu neste domingo (26), em Brasília, aos 95 anos, o ministro aposentado Luiz Octavio Pires e Albuquerque Gallotti, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal. A morte foi confirmada pela família. Ele integrou a Corte de 1984 a 2000 e a presidiu entre 1993 e 1995.
O velório está marcado para esta segunda-feira (27), das 10h às 16h, no Salão Branco do STF, com acesso aberto ao público. O sepultamento será na terça-feira (28), no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro, cidade onde Gallotti nasceu, em 27 de outubro de 1930.
Meio século de serviço público
A carreira de Gallotti atravessou quase cinco décadas e quatro instituições. Ele ingressou no Ministério Público em 1956, atuou como procurador junto ao Tribunal de Contas da União e foi ministro do TCU de 1973 a 1984, quando chegou ao Supremo — o último indicado à Corte ainda durante o regime militar.
No STF, acompanhou a transição democrática e a fase de consolidação da Constituição de 1988, período em que o tribunal passou a julgar em volume inédito ações diretas de inconstitucionalidade. Presidiu também o Tribunal Superior Eleitoral entre 1994 e 1996, ciclo que incluiu a eleição presidencial de 1994.
Naquele mesmo ano, em junho e em agosto, exerceu interinamente a Presidência da República em duas ocasiões, na condição de presidente do Supremo — situação prevista na linha sucessória quando presidente, vice, presidentes da Câmara e do Senado estão ausentes do país ou impedidos.
Três gerações no Supremo
Gallotti pertencia à terceira geração de uma mesma família a ocupar uma cadeira no STF. Seu pai, Luiz Gallotti, foi procurador-geral da República e presidiu o Supremo entre 1966 e 1968. Seu avô materno, Antônio Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque, foi ministro da Corte de 1917 a 1931. A filha, Isabel Gallotti, é ministra do Superior Tribunal de Justiça desde 2010.
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, afirmou em nota que a trajetória de Gallotti se confunde com um período significativo da história institucional brasileira. Ministros como Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Cármen Lúcia também prestaram homenagens, destacando a independência do magistrado e seu perfil discreto — resumido, por colegas, na preferência pela prudência em vez do protagonismo. A Ordem dos Advogados do Brasil divulgou nota de pesar pela morte.
















