O Rio Grande do Sul chega ao fim de semana com 206 municípios afetados pelas chuvas, ventanias e granizo que atingem o estado desde a semana passada, e com um aviso da Defesa Civil de que o pior ainda pode estar por vir: o órgão prevê temporais severos entre a segunda-feira (27) e a terça-feira (28), com granizo, rajadas de vento acima de 90 km/h e chuva intensa.

Segundo o balanço estadual, 682 pessoas estão desalojadas — ou seja, tiveram de deixar suas casas e foram para a residência de parentes ou amigos — em 47 municípios. Os estragos registrados até agora incluem queda de energia, destelhamentos, deslizamentos de barreiras, pontes submersas e alagamentos em áreas urbanas e rurais. A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil já reconheceu situação de emergência em 17 cidades gaúchas atingidas por temporais e vendavais neste mês, passo que libera o repasse de recursos federais para socorro às vítimas e reconstrução.

Acumulados podem passar de 200 mm em 48 horas

A projeção que preocupa os meteorologistas é a de volume concentrado. Para o novo ciclo de instabilidade, os acumulados podem superar 120 milímetros em pouco tempo, principalmente no dia 28, e chegar a 200 mm em 48 horas — patamar que, em solo já encharcado por mais de uma semana de chuva, aumenta o risco de novas cheias e de deslizamentos. As regiões sob maior atenção são o oeste, o centro e o sul do estado, além da Região Metropolitana de Porto Alegre.

Neste domingo (26), a previsão é de pancadas isoladas com granizo e chuva de moderada a forte no noroeste, norte, nordeste, na serra, na Grande Porto Alegre e no litoral norte. O regime de chuva acima da média no norte e noroeste gaúchos — área das cabeceiras dos rios Jacuí e Taquari-Antas, que deságuam no Guaíba — é o que empurra a água para a região metropolitana dias depois.

Guaíba sob monitoramento e comportas de prontidão

A elevação do Guaíba colocou a Grande Porto Alegre em alerta de inundação. A Defesa Civil emitiu avisos para Porto Alegre, Eldorado do Sul, Guaíba, Barra do Ribeiro e áreas de Viamão, todas sob influência direta do corpo d'água. No Cais Mauá, no Centro Histórico da capital, a cota de inundação é de 3 metros, e a cota de alerta, de 2,5 metros; projeção de técnicos do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS e do Serviço Geológico do Brasil indicava que o nível poderia se aproximar de 2,7 metros nos dias seguintes. Empresas e órgãos que atuam na área portuária foram notificados sobre a possibilidade de fechamento preventivo das comportas do sistema de proteção contra cheias.

O rio Uruguai também atingiu nível de transbordamento, colocando em situação crítica municípios como São Borja, Uruguaiana, Erechim, Ijuí e Vacaria. O estado ainda opera sob a memória recente da enchente de 2024, a maior catástrofe climática de sua história, quando o Guaíba superou os 5 metros e inundou o centro de Porto Alegre — episódio que expôs falhas no sistema de diques e comportas e que segue pautando as obras de recuperação em curso.

A orientação das autoridades é evitar deslocamentos em áreas alagadas, não atravessar pontes submersas, manter distância de encostas e acompanhar os alertas oficiais da Defesa Civil, disponíveis pelo telefone 199 e por mensagens de SMS mediante cadastro pelo número 40199.