A maior colheita de café já registrada em Minas Gerais começou a chegar ao mercado físico e o efeito apareceu direto na cotação. No dia 24 de julho, a saca de 60 kg do arábica tipo 6 negociada em Guaxupé, no Sul de Minas, fechou a R$ 1.773,00, acumulando queda de cerca de 2,2% em uma semana — o preço vinha de R$ 1.813,00 no dia 17 e recuou em duas sessões seguidas antes de estabilizar.
O movimento acompanha o indicador de referência do setor: o Cepea/Esalq registrou R$ 1.738,26 por saca em meados do mês, também em recuo diário, ainda que o acumulado mensal permanecesse positivo por causa da forte alta do começo de julho. Em regiões mineiras específicas, o ajuste foi mais duro. Na Chapada de Minas, a média caiu 14,8% e ficou em torno de R$ 1.830,00 a saca, abaixo da barreira psicológica dos R$ 2 mil que o produtor viu boa parte do ano passado.
Minas responde por metade do café do país
A pressão tem uma explicação simples: oferta. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta produção nacional de 66,7 milhões de sacas em 2026, crescimento de 18% sobre o ciclo anterior. Se confirmado no fim da colheita, o número supera o recorde de 63,08 milhões de sacas de 2020 e vira o maior da série histórica do órgão.
Minas Gerais é o motor desse salto. O estado deve colher 33,4 milhões de sacas somando arábica e conilon, avanço de 29,8% — praticamente metade de todo o café brasileiro. A produtividade média mineira subiu 23,4%, para 29,5 sacas por hectare. O desempenho combina bienalidade positiva, ciclo natural em que os cafezais alternam anos de carga alta e baixa, com chuvas bem distribuídas antes da florada e clima favorável até março, o que garantiu boa formação dos grãos. No recorte por espécie, o arábica sozinho deve alcançar 45,8 milhões de sacas no país.
Na prateleira, o alívio chega devagar
Para quem compra o pó no supermercado, a conta ainda não fechou. Levantamento da Associação Paulista de Supermercados em parceria com a Fipe apontou que o café entrou em 2026 na sétima queda consecutiva de preço no varejo, com recuo de 2,48% em janeiro. O ponto de partida, porém, é altíssimo: pelo IPCA, do IBGE, o café moído acumulou alta de 99,48% entre janeiro de 2024 e junho de 2025, quando começou a ceder.
Analistas de mercado avaliam que a safra cheia tende a manter a trajetória de baixa nos próximos meses, mas de forma limitada. Estoques globais apertados, demanda internacional firme e o câmbio seguram o repasse ao consumidor, e o preço do cafezinho não deve voltar tão cedo ao patamar de dois anos atrás. Do lado do produtor mineiro, o cenário é de volume grande com margem menor — o que faz da negociação da safra e da gestão de custos a principal decisão do segundo semestre no campo.
















