O Partido Liberal (PL) oficializou neste sábado (25) a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de 45 anos, à Presidência da República. A convenção nacional começou às 10h no Mercado Pago Hall, na Arena Pacaembu, em São Paulo — espaço com capacidade para cerca de 7 mil pessoas — e reuniu milhares de apoiadores.

Além da chapa presidencial, o encontro homologou candidaturas do partido a governos estaduais, ao Senado, à Câmara dos Deputados e às assembleias legislativas. É o pacote que agora entra na negociação final de coligações estado por estado, com prazo apertado.

No discurso, Flávio Bolsonaro tratou o ato como largada da disputa: "Isso é muito mais do que uma convenção, é o início da luta mais importante das nossas vidas", disse, ligando a candidatura ao movimento iniciado por Jair Bolsonaro em 2018. O presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, afirmou que o ex-presidente foi o principal responsável pelo crescimento do partido e que Flávio foi escolhido pelo pai para conduzir o projeto eleitoral do PL.

O palanque teve o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que declarou apoio ao senador — "vamos eleger alguém que vai honrar o pai dele, que vai honrar o legado" —, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), que cobrou uma bancada maior do campo no Senado, e o presidente da Argentina, Javier Milei, que discursou no evento. Na semana anterior, Flávio havia anunciado a reconciliação pública com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, depois de um desentendimento entre os dois.

Vice em aberto e prazo até 5 de agosto

A lacuna da convenção é o vice: o PL não anunciou o nome que completa a chapa. Pelo calendário eleitoral, as convenções partidárias têm de ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto, e o registro das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vai até 15 de agosto. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro.

Entre os nomes cotados para a vaga está o ex-governador de Minas Romeu Zema (Novo), que deixou o Palácio Tiradentes em março, quando renunciou e foi sucedido por Mateus Simões (PSD). A definição também depende do desenho do Senado, onde o campo pretende ampliar a bancada — foi exatamente o ponto cobrado por Nunes no palanque.

O que trava em Minas

A indefinição do vice tem efeito prático no segundo maior colégio eleitoral do país. Se Zema for para a chapa nacional, muda o cálculo do PL na disputa mineira, que segue sem chapa majoritária fechada: o partido faz sua convenção estadual na segunda-feira (27), e a costura do palanque de Flávio em Minas dependia de um acerto com o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), líder nas pesquisas para o governo do estado e que ainda não confirmou se disputa a eleição.

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), o mais votado do país em 2022, é peça central nessa negociação. Ele já oscilou entre descartar e não descartar a disputa pelo governo mineiro e tem sinalizado preferência pelo Senado, cargo que considera o lugar adequado para atuar na fiscalização.

Com todas as convenções obrigadas a terminar até 5 de agosto, a semana que vem concentra as decisões que vão desenhar os palanques estaduais — o mineiro entre eles.