O PSD oficializou neste domingo (26), em convenção nacional na sede do partido, no bairro Bela Vista, em São Paulo, a candidatura do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado à Presidência da República. O vice de chapa é Gilberto Kassab, presidente nacional da legenda — uma composição que a própria cúpula descreve como "puro-sangue", formada apenas com quadros do PSD depois que as tentativas de atrair um aliado de outro partido não avançaram.
A chapa foi anunciada por Caiado em 1º de julho, três semanas antes de começar o calendário de convenções, que vai de 20 de julho a 5 de agosto. O encontro deste domingo ocorreu um dia depois de o PL confirmar Flávio Bolsonaro como candidato ao Planalto, colocando as duas siglas em dias consecutivos no arranque oficial das campanhas.
Autonomia dos diretórios é a decisão mais sensível
Além de homologar a chapa, a convenção manteve a autonomia dos diretórios estaduais para definir os palanques na disputa presidencial. Na prática, o PSD sai da convenção com um candidato próprio ao Planalto e, ao mesmo tempo, com liberdade para que suas seções regionais apoiem adversários de Caiado, incluindo Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, conforme a realidade política de cada estado.
A avaliação interna é que a medida protege acordos já consolidados em governos estaduais e prefeituras — o PSD é uma das maiores máquinas municipais do país — mas o efeito colateral é uma candidatura nacional que nasce sem palanque garantido nos maiores colégios eleitorais. Em São Paulo, o exemplo é explícito: o governador Tarcísio de Freitas, que apoia Flávio Bolsonaro, confirmou presença na convenção estadual do PSD, que renovou o apoio à sua reeleição, mas não na convenção nacional em que a chapa presidencial foi lançada.
Em Minas, o partido está dos dois lados do tabuleiro
O quadro mineiro resume a costura. O PSD tem o governador Mateus Simões como pré-candidato à reeleição — ele se filiou à legenda no fim de 2025, com aval do ex-governador Romeu Zema, e se apresenta como o nome da continuidade. Só que Zema disputa a Presidência pelo Novo, ou seja, o principal aliado do PSD em Minas está do lado de um concorrente direto de Caiado. Já Rodrigo Pacheco, que era do PSD, migrou para o PSB para se viabilizar como o candidato de Lula ao governo mineiro.
Caiado chega à convenção em posição desconfortável nas pesquisas. Levantamento do AtlasIntel para a Bloomberg divulgado em 30 de junho apontou o ex-governador de Goiás com 2,9% das intenções de voto, contra 2% de Zema. Em dezembro de 2025, quando entrou na disputa, Caiado marcava 7,2% no mesmo instituto. O discurso com que o PSD tenta reverter esse cenário foi resumido por Kassab ao anunciar a chapa: o partido se prepara para assumir uma "posição de antagonismo" na política brasileira, com críticas à ineficiência dos poderes.
A aposta do grupo é que o eleitor de centro-direita insatisfeito com a polarização entre Lula e o bolsonarismo procure uma terceira via até outubro — espaço hoje disputado por Caiado, Zema e outros nomes fora dos dois blocos principais, e que nenhuma pesquisa até aqui mostrou consolidado em torno de um único candidato.
















