A Polícia Federal cumpriu nesta quinta-feira (3) mandado de busca e apreensão contra o deputado federal Ricardo Abrão (PSDB-RJ), na investigação sobre compra de votos nas eleições municipais de 2024 em Nilópolis, na Baixada Fluminense. A ação também afastou o sigilo de dados dos equipamentos eletrônicos do parlamentar.

Segundo o Poder360, o mandado foi autorizado pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), corte que julga parlamentares com foro privilegiado.

Além da busca e apreensão, a PF obteve autorização judicial para quebrar o sigilo dos dados dos equipamentos eletrônicos apreendidos com Abrão. É a terceira etapa da mesma apuração, iniciada quase dois anos atrás.

De acordo com o ND+, a investigação começou em outubro de 2024, quando a PF prendeu 24 pessoas em flagrante e apreendeu R$ 63 mil em espécie em Nilópolis, dinheiro que, segundo a apuração, seria destinado à compra de votos no município.

A segunda fase, batizada de Operação Astreia, ocorreu em fevereiro de 2025. Os investigadores apreenderam R$ 172 mil em espécie na casa do prefeito de Nilópolis, Abraão Davi Neto (PL), primo de Ricardo Abrão e conhecido como Abraãozinho.

Diferentemente das fases anteriores, que resultaram em prisões e mandados contra outros investigados, a ação desta quinta-feira teve como alvo apenas o deputado, segundo o ND+.

A família Abrão soma décadas de mandatos na cidade. O pai do deputado, Farid Abrão David, foi prefeito de Nilópolis por três mandatos, e o tio, Aniz Abraão David, é patrono da escola de samba Beija-Flor, da qual o próprio Ricardo Abrão já foi presidente.

A compra de voto é crime eleitoral tipificado pelo artigo 299 do Código Eleitoral, batizado de corrupção eleitoral. A lei prevê reclusão de até quatro anos e multa para quem oferece ou aceita vantagem em troca do voto.

Assine o Resumo do dia e receba de segunda a sábado, no seu e-mail, as notícias que você não pode perder.

Sem spam — você pode cancelar quando quiser.

Por meio da assessoria, o deputado disse à Revista Oeste e à Tribuna do Sertão que recebeu a operação "com estranheza" e reforçou que não foi candidato no pleito municipal de 2024 alvo da investigação. Ele ocupa mandato federal, obtido em outro pleito.

O inquérito tramita no STF por causa do foro privilegiado de Abrão, o que preserva o mandato do deputado enquanto a apuração segue em curso.

O que acontece agora

O material apreendido nesta operação passa a ser analisado dentro do mesmo inquérito que já resultou nas apreensões de 2024 e 2025. O processo segue sob relatoria do ministro Flávio Dino no STF, instância que julga parlamentares com foro privilegiado.