A Organização Meteorológica Mundial (OMM), órgão da ONU, confirmou nesta quinta-feira (3) que o El Niño deve atingir intensidade "muito forte" nos próximos meses, com quase 100% de chance de o fenômeno seguir ativo até fevereiro de 2027. O aquecimento das águas do Pacífico deve superar 2°C acima da média histórica.
Segundo a OMM, modelos climáticos "unânimes" sustentam a previsão com alto nível de confiança. Se confirmado, o episódio pode superar o El Niño de 2015, que registrou anomalia de 2,8°C no Pacífico e é hoje a referência de El Niño mais forte já medido.
De acordo com boletim conjunto de órgãos federais brasileiros, entre eles Inmet, Inpe, Cemaden e a Agência Nacional de Águas (ANA), o impacto no Brasil será desigual por região.
No Norte, a previsão é de redução de chuva e atraso da estação chuvosa na Amazônia. As temperaturas devem ficar acima da média, o que amplia o risco de incêndios florestais.
No Nordeste, a seca já atinge 40% da região, contra 10% em junho de 2023, segundo o boletim. A previsão é de estação chuvosa mais curta e temperaturas também acima da média.
O Sul segue o caminho oposto. O solo já mantém reservas hídricas elevadas, e o boletim prevê maior frequência de chuva acima da média, temporais, enchentes de rios e deslizamentos.
No Centro-Oeste, o atraso da estação chuvosa deve se somar a temperaturas altas e baixa umidade, ampliando a propagação de incêndios. No Sudeste, a expectativa é de calor persistente e chuva irregular.
O boletim de hoje reúne, sob uma única causa, efeitos que a Defesa Civil e institutos climáticos já vinham registrando separadamente nas últimas semanas.
Em agosto, a ONU já havia classificado o El Niño como "forte" e apontado risco para a safra. A atualização de hoje eleva a classificação para "muito forte".
No mesmo mês, o Cemaden projetou até 9 ondas de calor até dezembro, número que o novo boletim da OMM torna ainda mais provável.
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Enquanto isso, o Sul do país já vive uma temporada recorde de tornados em 2026, fenômeno associado ao mesmo excesso de chuva que o El Niño reforça na região.
O boletim também cita risco à navegação fluvial, à agricultura e à segurança no abastecimento de água e energia nas regiões mais secas.
O que acontece agora
Os órgãos federais devem atualizar o boletim conforme o fenômeno evolui rumo ao pico esperado entre a primavera e o início do verão. Estados do Norte e do Nordeste já intensificam planos de prevenção a incêndios florestais e monitoramento de estiagem.


























