O Banco Central decretou nesta quinta-feira (3) a liquidação extrajudicial da Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários e da Banvox Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, duas empresas ligadas ao caso Banco Master. Segundo o BC, a medida foi motivada por "graves violações às normas legais" que regulam a atividade das instituições, sediadas em São Paulo.
Os bens dos controladores e ex-administradores das duas distribuidoras ficaram indisponíveis a partir desta quinta, segundo o comunicado do BC. O decreto foi assinado por Ailton de Aquino, diretor em exercício, já que o presidente Gabriel Galípolo estava em viagem a Basileia, na Suíça.
As duas empresas são associadas a Maurício Quadrado, que foi sócio de Daniel Vorcaro e comandou investimentos do Banco Master até meados de 2024.
A Trustee atuava como administradora e custodiante de fundos de investimento ligados às operações do Master. Ela também foi agente fiduciária em uma emissão de R$ 470,5 milhões em debêntures para a própria Banvox.
Segundo apuração da Polícia Federal, as duas distribuidoras são associadas a ocultação patrimonial e movimentações atípicas. O BC informou que vai apurar as condutas dos responsáveis e pode encaminhar o caso a outros órgãos para sanções adicionais.
Quantas instituições já caíram no caso Master
Levantamento da Finsiders Brasil, feito antes da decisão desta quinta, contabilizava 13 liquidações extrajudiciais decretadas pelo BC em 2026 até então, recorde histórico para o órgão. Em 2025 foram 4; em 2024, 2; e em 2023, 6.
Will Financeira (o Will Bank), Banco Pleno e sua distribuidora, CBSF Distribuidora e Advanced Corretora já haviam caído neste ano, a maioria delas ligada ao Master.
A sequência mostra que o efeito do caso Master sobre o sistema financeiro se espalhou por instituições satélites, mesmo que cada uma isoladamente tenha peso pequeno no total do setor. É nesse conjunto que a Trustee e a Banvox entram agora.
Apesar do número recorde de liquidações no ano, as duas distribuidoras juntas representam menos de 0,001% do ativo total do Sistema Financeiro Nacional e 0,76% do volume de administração de recursos de terceiros, segundo o BC.
O avanço das investigações sobre o caso aparece também na tramitação no STF. A Procuradoria-Geral da República já fechou a primeira delação do caso Banco Master, com o ex-dono da Reag.
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O presidente do STF, ministro Edson Fachin, prometeu medidas cabíveis depois que vieram à tona as mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes.
O que acontece agora
A liquidante Marilena Simões Valentim assume a administração das duas distribuidoras. O Banco Central não informou prazo para a conclusão do processo nem detalhou o que acontece com os cotistas dos fundos que a Trustee administrava.
Até a publicação desta matéria, não havia declaração pública do Banco Master, de Vorcaro ou da defesa de Quadrado sobre a liquidação desta quinta.


























