Um data center de inteligência artificial de 100 megawatts pode mobilizar R$ 25 bilhões em investimento e gerar 37,2 mil empregos, segundo estudo da FGV Projetos encomendado pela Scala Data Centers e pela Norgás. O número ganha relevância agora que o Redata, que isenta essas empresas de impostos federais, avança no Congresso.
O investimento se divide em R$ 5 bilhões em infraestrutura física e R$ 20 bilhões em servidores, GPUs e sistemas de armazenamento. Do total, R$ 3,6 bilhões ficam retidos na economia brasileira, e o impacto sobre o PIB é estimado em R$ 2,86 bilhões.
Dos 37,2 mil empregos projetados, 12,6 mil são diretos e indiretos, ligados à construção e à implantação. Outros 24,6 mil são induzidos, gerados pelo consumo das famílias em comércio, alimentação, transporte, saúde e educação.
Depois que o data center entra em operação, restam só 1.860 postos permanentes.
O que está por trás da conta
O cálculo usa um modelo chamado insumo-produto. Segundo Charles Schramm, gerente executivo da FGV Projetos e responsável pelo estudo, "o estudo usa um modelo insumo-produto para captar os efeitos diretos, indiretos e induzidos dos investimentos em infraestrutura digital".
O próprio estudo faz uma ressalva. Alguns benefícios de sediar o data center no Brasil são difíceis de medir com os modelos tradicionais. Efeitos de cadeia de suprimentos podem ampliar os ganhos além do que foi calculado.
O outro lado da conta
O estudo foi encomendado por duas empresas do setor, a Scala Data Centers e a Norgás, que têm interesse direto em números favoráveis ao incentivo fiscal.
O Redata, aprovado pelo Senado nesta semana, isenta por até cinco anos os impostos federais sobre equipamentos de data centers, com renúncia fiscal de R$ 5,2 bilhões só em 2026.
Para acessar o benefício, as empresas precisam usar energia renovável ou de baixa emissão e reservar ao menos 10% da capacidade de processamento ao mercado brasileiro.
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Organizações da sociedade civil questionam essa conta. Em nota, a Coalizão Direitos na Rede, o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) e outras entidades afirmaram:
Soberania não se resume a instalar servidores em território nacional. Ela envolve capacidades tecnológicas e científicas nacionais, segurança e governança de dados, autonomia energética e proteção dos recursos naturais.
O consumo de água e energia é o centro da crítica. Em Caucaia, no Ceará, um data center em instalação deve ter demanda de energia equivalente ao consumo de 4,5 milhões de residências, segundo a Agência Brasil.
O setor alerta que a janela de oportunidade é curta. O Brasil tem cerca de três anos para se firmar no mercado global de data centers antes que outros países capturem os investimentos em disputa.
O ponto em aberto
A conta da FGV mostra o que o Redata pode gerar em investimento e emprego. O que ela não mede é o custo de água e energia que cada data center consome.
Fica em aberto se a renúncia fiscal de R$ 5,2 bilhões compensa esse custo, e quem paga a conta de luz quando a demanda da região crescer.



























