O perito contratado pela produtora do filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmou que não rastreou a origem do dinheiro que o banqueiro Daniel Vorcaro enviou à produção. O laudo, divulgado nesta quarta-feira (26), contradiz a promessa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de que o caso estava com as contas encerradas.

O documento foi produzido por Anísio Castelo Branco, presidente do Instituto de Perícia Investigativa, contratado pela GoUp Entertainment, produtora do filme. Segundo o laudo, o custo total da produção foi de R$ 75,1 milhões, dos quais quase 100% vieram do fundo americano Havengate.

O perito, porém, analisou só os gastos da GoUp no Brasil, sem checar de onde veio o dinheiro antes de chegar ao fundo americano. Segundo o laudo entregue à investigação, ele afirmou:

Eu não sei quanto foi enviado do Brasil aos EUA, nem sei se foi enviado, porque eu não estou investigando o fundo

A promessa que não bateu

Seis dias antes, em 20 de agosto, Flávio Bolsonaro havia chamado o caso de "página virada" e disse que a prestação de contas já tinha sido feita, sem detalhar valores. Em maio, ele já havia prometido tornar o contrato público, promessa que segue sem cumprir.

O laudo do perito mostra o contrário do que Flávio Bolsonaro sugeriu: a origem de boa parte do dinheiro, o fluxo do Havengate até chegar ao Brasil, segue sem explicação documentada.

PF já tem acesso ampliado

O ministro Flávio Dino autorizou a Polícia Federal a acessar dados de uma operação da Polícia Civil de São Paulo contra a produtora, dois dias antes do laudo. A mesma investigação apura desvio de um contrato de Wi-Fi da prefeitura para financiar o filme.

A PF investiga também se parte dos recursos foi usada em despesas pessoais de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, e se o filme serviu como instrumento de lavagem de dinheiro.

O caso começou em maio, quando o Intercept Brasil revelou mensagens que mostravam Flávio Bolsonaro negociando R$ 134 milhões com Vorcaro para financiar o filme sobre o pai.

O que acontece agora

A Polícia Federal segue analisando o fluxo financeiro internacional que o laudo da GoUp não cobriu. Não há data prevista para a conclusão do inquérito, nem posição divulgada pela defesa de Flávio Bolsonaro sobre o novo laudo.