O preço do petróleo despencou nesta segunda-feira (27) no mercado internacional depois que Estados Unidos e Irã completaram o segundo dia consecutivo sem trocar ataques no Golfo Pérsico. O contrato futuro do Brent para setembro, referência global, caiu na faixa de 5% a 7% e voltou a ser negociado em torno de US$ 91 o barril, depois de ter tocado cerca de US$ 102 na semana passada. O WTI, referência americana, recuou para a casa dos US$ 84.

Foi o maior movimento diário de baixa desde o início da escalada militar, que já dura semanas e havia levado o barril a acumular alta superior a 25% só em julho. A virada ocorreu depois de o governo de Donald Trump interromper a campanha de bombardeios contra alvos iranianos e de Teerã sinalizar que manteria a própria pausa enquanto Washington não retomasse as ofensivas. O embaixador Mike Waltz afirmou que a Casa Branca está dando "espaço" a uma eventual negociação antes de decidir se volta a atacar.

O epicentro da crise é o Estreito de Ormuz, passagem estreita entre os golfos Pérsico e de Omã por onde escoa cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo. Com o corredor sob risco, o mercado passou semanas precificando desabastecimento — e o conflito chegou a transbordar para o Mar Vermelho, com ataques a navios e a instalações da Saudi Aramco reivindicados pelos houthis do Iêmen. A trégua não encerra a guerra nem reabre plenamente as rotas, mas retira, por ora, o prêmio de risco embutido no preço.

O que a queda significa para o bolso do brasileiro

Petróleo mais barato reduz a defasagem entre o preço praticado pela Petrobras nas refinarias e o valor de referência internacional, e é justamente essa defasagem que costuma disparar reajustes de gasolina e diesel. Ao longo de 2026, a estatal já promoveu aumentos sucessivos puxados pela escalada do barril, e o governo federal chegou a zerar as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel importado para conter o repasse às bombas. Se o recuo se sustentar, a pressão por novas altas diminui — embora a Petrobras não repasse variações diárias e o efeito no posto costume demorar semanas.

O alívio também mexe com a inflação. Combustíveis têm peso relevante no IPCA e contaminam preços de transporte e alimentos, por efeito de segunda ordem no frete. O timing é sensível: o Comitê de Política Monetária (Copom) anuncia a decisão sobre a taxa Selic nesta quarta-feira (29), com o choque do petróleo entre os principais fatores de risco no cenário. Uma trégua duradoura melhora a perspectiva de inflação à frente, mas dificilmente altera uma decisão tomada com base em dados já consolidados.

A cautela é a regra entre analistas: a pausa nas hostilidades é unilateral, reversível e não veio acompanhada de acordo formal. Qualquer novo ataque no Golfo ou no Mar Vermelho pode devolver o barril ao patamar de três dígitos — e, com ele, a pressão sobre os combustíveis no Brasil.