O governo de Donald Trump impôs tarifas ao Brasil, citando o sucesso do sistema de pagamentos instantâneos Pix como justificativa. Paul Krugman, economista vencedor do Nobel, critica essa decisão, argumentando que classificar o Pix como prática comercial desleal é infundado. O Pix, adotado amplamente no Brasil, oferece transações gratuitas para indivíduos e de baixo custo para empresas, desafiando gigantes como Visa e Mastercard.
Krugman aponta que a medida americana reflete uma resistência a inovações tecnológicas que podem prejudicar interesses de empresas de meios de pagamento e do setor de criptomoedas. Ele afirma que o Brasil é pequeno demais para alterar significativamente o equilíbrio econômico global e que a principal preocupação dos EUA é a potencial concorrência ao dólar em âmbito internacional.
As tarifas, segundo Krugman, provavelmente não alcançarão o efeito desejado. Ele acredita que a ação americana pode até fortalecer a posição exportadora do Brasil, já que a capacidade de Washington de elevar tarifas sobre produtos brasileiros como café e carne bovina é limitada devido ao risco de pressionar preços nos EUA. A economista Monica de Bolle afirma que tal redirecionamento do comércio global acabou por fortalecer a posição do Brasil no mercado internacional.
O governo brasileiro, por sua vez, está em diálogo com setores afetados para definir medidas de apoio. Reuniões conduzidas pelo Ministério da Indústria buscam calibrar a resposta do Brasil, que pode incluir a reativação da Lei de Reciprocidade. O ministro da Fazenda destacou a necessidade de uma resposta cautelosa às tarifas americanas.



