O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, assinaram nesta segunda-feira (27), em Brasília, dez memorandos e acordos de cooperação entre os dois países. Os textos cobrem comércio e integração produtiva, economia e finanças, agricultura, saúde, pequenas e médias empresas, ciência e tecnologia, regulação sanitária, pesquisa agrícola e cooperação policial.

O ponto de maior peso econômico da visita, porém, não foi assinado: os dois chefes de Estado manifestaram a intenção de retomar as negociações de um acordo comercial entre o Mercosul e a Coreia do Sul, tratativas que estão paradas desde 2021. Lee afirmou que o Brasil é "membro-chave do Mercosul" e defendeu a retomada imediata das conversas.

A visita de Estado teve cerimônia de boas-vindas no Palácio da Alvorada pela manhã, reuniões fechadas, assinatura de atos e recepção no Palácio Itamaraty à tarde. Nesta terça-feira (28), o líder sul-coreano tem agenda com empresários brasileiros e coreanos em São Paulo.

Os números da relação bilateral

O comércio entre os dois países somou US$ 10,8 bilhões em 2025. A Coreia do Sul é o 4º maior parceiro comercial do Brasil na Ásia e o 5º principal destino das exportações brasileiras para a região, além de ocupar a 19ª posição entre os maiores investidores estrangeiros no país. Lula destacou que o Brasil é o principal destino dos investimentos sul-coreanos na América Latina.

Os dois países elevaram a relação à categoria de Parceria Estratégica e adotaram um Plano de Ação 2026-2029, estrutura de quatro anos que organiza o diálogo político, a cooperação econômica e o intercâmbio entre as populações. O encontro dá sequência à viagem de Lula a Seul, em fevereiro deste ano.

Semicondutores, minerais críticos e carne

Entre as frentes de cooperação listadas pelo Itamaraty estão semicondutores, inteligência artificial, minerais críticos, transição energética, saúde, fármacos, cosméticos, cultura, educação e esportes. Lula apontou a transição energética e os minerais críticos como oportunidades para o Brasil agregar valor à sua pauta exportadora, hoje concentrada em produtos básicos.

O governo brasileiro também tenta ampliar o acesso de produtos agropecuários ao mercado coreano, com foco na abertura para as carnes suína e bovina — pauta de interesse direto de estados produtores, entre eles Minas Gerais.

A aproximação com Seul se soma à agenda recente de Brasília com China e União Europeia e integra o esforço de diversificação de parceiros comerciais diante das sobretaxas impostas pelo governo de Donald Trump a produtos brasileiros.