O presidente argentino Javier Milei voltou a chamar Lula de 'ladrão' e 'corrupto' em entrevista à emissora LN+ no domingo (2), agravando a crise diplomática entre Brasil e Argentina. O Itamaraty convocou o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas e cobrou explicações do embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi.
Na entrevista, Milei afirmou que Lula "foi condenado por roubo e corrupção, esteve preso, por isso também é verdade chamá-lo de presidiário", e disse que ele "foi solto por uma falha processual" e "não é inocente". Questionado sobre a agressividade das falas, respondeu: "Eu menti?". Milei também acusou o governo brasileiro de financiar uma campanha "anti-Argentina" com "dinheiro, recursos, influenciadores e atores", sem apresentar provas, e disse que Lula "espalha o socialismo" pela América Latina.
O que dizem os autos
As condenações de Lula na Operação Lava Jato foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal em 2021, em decisão do ministro Edson Fachin posteriormente referendada pela Segunda Turma, que reconheceu a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba para julgar os processos. Em seguida, a mesma Segunda Turma declarou a suspeição do então juiz Sergio Moro para atuar nos casos. Com a anulação, Lula teve os direitos políticos restituídos e não possui condenação criminal em vigor — o que contraria a afirmação do presidente argentino.
Repercussão no Brasil
O vice-presidente Geraldo Alckmin declarou que Milei prestou "desserviço ao seu próprio país". O ministro da Fazenda, Dario Durigan, chamou o argentino de "palhaço". O presidente do STF, Edson Fachin, repudiou os comentários de Milei sobre o ministro Alexandre de Moraes, alvo de críticas do argentino na mesma sequência de declarações.
Origem da crise
O estopim foi a convenção do PL em São Paulo, em 25 de julho, que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência: Milei discursou no evento e já havia criticado Lula e Moraes naquela ocasião. Lula, que oficializou candidatura à reeleição para outubro de 2026, chamou a participação de Milei no evento de "patacoada" e se referiu ao argentino como "coisa". Apesar da escalada, o chanceler argentino, Pablo Quirno, sinalizou ao Itamaraty que a Argentina não pretende romper relações diplomáticas com o Brasil.














