O vice-presidente Geraldo Alckmin classificou nesta terça-feira (28) como "desserviço" à própria Argentina os ataques feitos pelo presidente argentino, Javier Milei, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em solo brasileiro. A declaração foi dada em São Paulo, após um evento de negócios entre Brasil e Coreia do Sul.
"É lamentável que o presidente de um país vizinho amigo, que compõe até o Mercosul, preste um desserviço ao seu país", afirmou o vice-presidente, que acrescentou: "não deve presidente se envolver em eleição de outro país". Alckmin disse ainda haver "intromissão em assuntos internos do Brasil", feita "de maneira absolutamente grosseira".
O que Milei disse
No sábado (25), durante a convenção do Partido Liberal (PL) em São Paulo, que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência, Milei ofendeu Lula, chamando-o de "presidiário", e se referiu ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes como "lixo careca". O presidente argentino também criticou a política fiscal brasileira, afirmando que "o Brasil caminha para uma crise de dívida", e disse esperar que Lula perdesse "nas urnas em outubro".
A reação do governo brasileiro começou ainda no fim de semana: no domingo (26), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, convocou o embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi, para transmitir a repulsa do governo. Na segunda-feira (27), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, chamou Milei de "palhaço" e rebateu as críticas econômicas, afirmando que o "risco país da Argentina é muito mais alto, a dívida pública é muito mais alta".
Peso comercial
Ao comentar o episódio, Alckmin lembrou que o Brasil é o maior comprador de produtos argentinos e o principal parceiro comercial do país vizinho, embora não tenha respondido diretamente sobre eventuais impactos nas relações comerciais. Ele mencionou ainda os acordos comerciais fechados pelo Mercosul com Singapura, União Europeia, Suíça e Noruega.














