Quatro brasileiros estão entre os 21 tripulantes do navio Bandero, retido pelas autoridades da Islândia no porto de Reykjavík. A embarcação, de bandeira panamenha e destinada a patrulha pesqueira, fazia uma campanha internacional da Captain Paul Watson Foundation contra a caça a baleias no Atlântico Norte quando foi abordada na virada de quinta para sexta-feira (30 para 31 de julho).

Os brasileiros detidos são o contramestre Vitor Young, de 32 anos, de Santos (SP); o marinheiro Victor Calixto, de 23 anos, de Ilhabela (SP); o médico Rui Amorim, de 52 anos, de Fortaleza (CE); e o cozinheiro Lucas Barbosa, de 28 anos, de Craíbas (AL). A tripulação reúne pessoas de dez nacionalidades.

O que dizem as autoridades islandesas

Segundo a guarda costeira da Islândia, o órgão recebeu em 30 de julho um relato de que a tripulação do navio baleeiro Hvalur 9 se sentia ameaçada. A corporação afirma que o comandante do Bandero desobedeceu a ordens transmitidas por rádio, de um helicóptero e da embarcação Freyja, para deixar as águas islandesas e depois para parar os motores. A abordagem ocorreu por volta da meia-noite, com a guarda costeira e uma equipe de forças especiais da polícia, que assumiram o comando do navio e o levaram a Reykjavík. O caso foi repassado à polícia e ao Ministério Público locais. O capitão Paul Watson, que fundou a Sea Shepherd em 1977, não estava a bordo.

Versão da organização e pedido ao governo brasileiro

A tripulação relatou a parentes que o Bandero realizava uma campanha pacífica, que não colocou em risco outras pessoas ou embarcações. A fundação afirma que o navio está sendo mantido preso e acusa a Islândia de violar a moratória internacional à caça comercial de baleias. O Hvalur 9 é operado pela empresa baleeira Hvalur.

Depois da abordagem, a Sea Shepherd Brasil e a Captain Paul Watson Foundation protocolaram um pedido formal ao governo brasileiro solicitando atuação diplomática urgente, assistência consular e acompanhamento do caso. O Ministério das Relações Exteriores informou que o governo, por meio da Embaixada do Brasil em Oslo, está em contato com as autoridades islandesas para obter mais informações e prestar assistência consular.

Os tripulantes seguem impedidos de deixar o Bandero e aguardam ser ouvidos formalmente. A comunicação do grupo ficou interrompida e, após 24 horas, os tripulantes foram autorizados a acessar apenas os computadores e a contatar familiares. O capitão continua sem acesso ao comando, e o navio permanece oficialmente retido no porto. Os pais de Vitor Young contaram que o filho está embarcado há dois meses e disseram esperar que toda a tripulação seja liberada após prestar esclarecimentos.