A Polícia Federal cancelou nesta segunda-feira (3) o depoimento de Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, a pedido da defesa dele. Ele é investigado por supostamente comandar a indicação de 21 emendas parlamentares que somam R$ 119,2 milhões, mesmo sem mandato — prerrogativa exclusiva de deputados e senadores em exercício.

Segundo a Polícia Federal, um esquema teria envolvido funcionários da Câmara dos Deputados na organização da destinação das emendas conforme os interesses de Valdemar, ainda que deputados federais aparecessem formalmente como autores das indicações. A apuração aponta um "arranjo decisório paralelo", identificado a partir de mensagens e planilhas encontradas no celular de uma servidora da Casa. A PF ainda apura se os deputados que assinaram as indicações tinham conhecimento do esquema.

O que decidiu a Justiça

Em julho, o ministro Flávio Dino, do STF, determinou a suspensão imediata de todas as emendas apontadas como irregulares e a indisponibilidade de bens de Valdemar até o limite de R$ 119,2 milhões. Dino também deu prazo de dez dias para que 21 partidos expliquem eventual definição, gestão ou distribuição de emendas por suas presidências nacionais. Em caso relacionado, R$ 6 milhões também foram bloqueados envolvendo o ex-deputado Eduardo Cunha.

O que diz Valdemar Costa Neto

O depoimento de Valdemar à Polícia Federal, marcado para esta segunda-feira (3), foi cancelado a pedido dos advogados dele, sem nova data definida até a publicação desta matéria. Em entrevista à GloboNews após a decisão de Dino, Valdemar defendeu que presidentes e direções nacionais dos partidos deveriam definir o destino de emendas por terem "visão nacional" das necessidades da legenda, diferentemente de deputados focados em demandas locais. A defesa do dirigente preferiu não comentar o andamento do caso.