O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) chamou neste domingo (26) o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas em Brasília e convocou o embaixador argentino no país, Guillermo Daniel Raimondi, depois que o presidente da Argentina, Javier Milei, chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de "presidiário" durante discurso em São Paulo.
Milei discursou no sábado (25) na convenção do Partido Liberal (PL) no Pacaembu, que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. No mesmo discurso, o presidente argentino chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de "lixo careca", em crítica à decisão que negou a ele autorização para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nota classifica falas como "sem precedentes"
Em nota, o Itamaraty afirmou que "não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro". O chanceler Mauro Vieira convocou o embaixador argentino para transmitir a repulsa do governo brasileiro.
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, também se manifestou em nota, classificando a fala de Milei como uma "referência desrespeitosa" e afirmando que "a Presidência do STF deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados".
Embaixadores chamados dos dois lados
Bitelli, embaixador brasileiro em Buenos Aires, foi chamado a Brasília para consultas com o Itamaraty. Raimondi, o embaixador argentino no Brasil, foi convocado para uma reunião com autoridades brasileiras nos dias seguintes. Em seu discurso, Milei repetiu ainda a acusação, sem comprovação apresentada, de que o governo brasileiro teria financiado uma campanha contra ele.
















