O presidente da Argentina, Javier Milei, chamou Lula de "ladrão" e "corrupto" neste domingo (2), em entrevista à emissora LN+, e disse que o presidente brasileiro "não é inocente". A fala repete ofensas feitas por Milei na semana passada, que levaram o Itamaraty a convocar o embaixador argentino em Brasília.
"Ele é um ladrão, um corrupto. Não é inocente. Foi liberado por uma falha no processo jurídico", afirmou Milei na entrevista, voltando a questionar as decisões judiciais que anularam as condenações de Lula na Operação Lava Jato. O argentino negou que suas declarações sejam agressivas: "Agressivo é que alguém roube. É muito mais leve chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar", disse, classificando as ofensas como "palavras espontâneas".
A primeira rodada de ataques e a resposta do Itamaraty
Na semana passada, durante a convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Senado, em São Paulo, Milei já havia chamado Lula de "ladrão", "corrupto", "presidiário" e "lixo socialista", além de se referir ao ministro do STF Alexandre de Moraes como "lixo careca". O Itamaraty convocou o embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, para manifestar formalmente o descontentamento do governo, e chamou para consultas o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli. Em nota, o governo classificou o episódio como "sem precedentes". O chanceler Mauro Vieira disse considerar o caso grave, mas descartou, por ora, medidas mais duras, como a retirada de representantes diplomáticos.
A reação de Lula
Lula inicialmente evitou entrar na polêmica: questionado por jornalistas sobre Milei, respondeu com ironia, "Quem é esse cara?". Dias depois, endureceu o tom e classificou a participação de Milei no evento do PL como uma "patacoada". Em um ato do PSB, voltou a comentar o episódio sem citar o nome do argentino diretamente: "Vocês viram aqui a papagaiada que fez aqui o presidente da Argentina (...) O cara demonstra ódio, eu demonstro amor", disse, afirmando que não aceitará interferência externa no processo eleitoral brasileiro.














