O preço médio efetivamente pago por um carro 0 km no Brasil caiu de R$ 157.672 para R$ 152.148 entre 2025 e junho de 2026, recuo real de 3,5%, puxado pela concorrência de marcas chinesas como BYD e GWM, segundo levantamento da Bright Consulting. É a primeira queda real de preço do setor em seis anos.

O preço público sugerido pelas montadoras seguiu outra direção: subiu de R$ 172.538 para R$ 169.984 no mesmo período, mas mesmo esse valor de tabela ficou 1,5% mais barato em termos reais, descontada a inflação acumulada de 3,18%. Ou seja, tanto o valor de tabela quanto o efetivamente negociado nas concessionárias recuaram em termos reais.

Por que o carro ficou mais barato agora?

A resposta é a chegada em força das marcas chinesas. No primeiro semestre de 2026, sete dos dez carros elétricos mais vendidos no Brasil eram de fabricantes chineses — BYD, GWM e Geely —, com o BYD Dolphin Mini entrando entre os dez carros mais emplacados de todo o mercado brasileiro, à frente de modelos tradicionais. O levantamento é assinado por Cássio Pagliarini, sócio da Bright Consulting.

O avanço chinês também aparece na balança comercial: o Brasil foi o maior importador mundial de veículos chineses no primeiro semestre de 2026, com US$ 5,2 bilhões em compras — dos quais US$ 4,5 bilhões só em elétricos e híbridos.

E o financiamento também ficou mais barato?

Não. Enquanto o preço do carro cedeu, o crédito para comprá-lo segue caro: as taxas de financiamento de veículos no Brasil variam de 18% a 22% ao ano, bem acima da Selic, hoje em 14,25%. Como cerca de 60% das vendas de carros no país dependem de financiamento bancário, o custo do crédito ainda pesa no bolso do consumidor mesmo com o carro mais barato, avalia Antônio Jorge Martins, coordenador dos cursos da área automotiva da Fundação Getulio Vargas (FGV).