A Fitch elevou a nota de crédito de longo prazo do município do Rio de Janeiro de "AA+" para "AAA", o nível mais alto da escala nacional, com perspectiva estável. A agência cita melhorias consistentes na gestão fiscal, com margens operacionais sólidas e liquidez robusta.

O que sustenta a nota máxima

O Perfil de Crédito Individual (PCI) do Rio também subiu, de "BB" para "BB+", categoria associada a risco médio a baixo. A Fitch aponta trajetória de dívida em redução gradual, com amortizações levemente superiores a novos empréstimos.

As receitas tributárias respondem por 42,3% das receitas operacionais da cidade. ISS e IPTU juntos somam mais de 75% da arrecadação tributária.

O ISS cresce acima da inflação nos últimos anos. Já o IPTU é mais estável, por ser cobrança anual sobre imóveis urbanos.

Na comparação doméstica, o perfil do Rio hoje se aproxima do Estado de São Paulo. O teto para qualquer rating de governo local ou regional brasileiro é a nota soberana do país, hoje em "BB".

De R$ 12 milhões em caixa ao teto da Fitch em quatro anos e meio

Em janeiro de 2021, quando Eduardo Paes assumiu o terceiro mandato como prefeito, a cidade tinha R$ 12 milhões em caixa e cerca de R$ 6 bilhões em dívidas herdadas da gestão anterior.

A prefeitura fechou aquele primeiro ano com R$ 7 bilhões a R$ 7,5 bilhões em caixa.

A despesa com pessoal, que estava em 56,2% da Receita Corrente Líquida (acima do limite de 54% da Lei de Responsabilidade Fiscal), caiu para 48,7% já naquele ano, dentro do limite legal.

O que a distância percorrida ainda não responde

Da cidade com R$ 12 milhões em caixa ao teto da escala nacional da Fitch. É essa distância, percorrida em pouco mais de quatro anos, que dá peso à nota divulgada nesta semana.

Resta saber se o próximo ciclo de gestão mantém a trajetória que a agência recompensa hoje.