O Banco Central divulgou nesta terça-feira (11) a ata da reunião do Copom que reduziu a Selic de 14,25% para 14,00% ao ano, o quarto corte seguido do ciclo iniciado em março. A decisão, tomada por unanimidade em 5 de agosto, entrou em vigor em 6 de agosto.

Segundo o documento, o texto veio mais restritivo do que o mercado esperava. O Copom afirmou que a política monetária precisa seguir restritiva por mais tempo, em um cenário de expectativas de inflação desancoradas.

A ata voltou a citar a política fiscal como fator de risco para a trajetória dos preços.

O comitê também passou a falar em calibrar não só o ritmo, mas a extensão dos cortes. Para analistas de mercado, a mudança de linguagem sinaliza que o ciclo de flexibilização pode parar antes do que se projetava até a semana passada.

O que muda nas projeções do mercado?

Antes da divulgação da ata, casas financeiras que previam a Selic terminal em 12,50% ao ano no fim de 2026 já revisavam a aposta para 13%, 13,50% e, em alguns casos, 14% ao ano.

O boletim Focus, que reúne as projeções de instituições financeiras, passou a estimar a Selic em 13,75% ao ano no fim do ano, incorporando mais um corte de 0,25 ponto percentual no ciclo.

O Comitê observou que as expectativas de inflação apuradas pelo próprio Focus seguem acima da meta oficial: 5,0% para 2026 e 4,2% para 2027.

O Copom, presidido por Gabriel Galípolo, não sinalizou o valor da Selic para a próxima reunião, marcada para 15 e 16 de setembro. A comunicação seguiu dependente dos próximos dados de inflação e atividade econômica.

Qual o histórico do ciclo de cortes?

Este é o quarto corte seguido desde que o ciclo de flexibilização monetária começou em março. Cada rodada reduziu a taxa em 0,25 ponto percentual, sequência que levou a Selic aos atuais 14,00% ao ano.

Para parte dos economistas que comentaram o documento nesta terça, a ata reforça a leitura de que o Banco Central está mais preocupado com o cenário fiscal do que o comunicado da semana passada deixava transparecer.

A próxima decisão sobre os juros básicos sai ao fim da reunião do Copom marcada para os dias 15 e 16 de setembro.

O que trava um corte mais rápido

A ata deixa claro que o ritmo dos próximos cortes depende da política fiscal e da trajetória da inflação, os dois pontos que o próprio Copom listou como risco. O Focus segue projetando inflação acima da meta para 2026 e 2027.

Segue em aberto, portanto, se o ciclo perde força antes do que o mercado imaginava até a semana passada.