O Ibovespa fechou nesta quinta-feira (13) em queda pela oitava sessão seguida, aos 167.100,95 pontos, recuo de 0,23%. O dólar subiu 0,25%, a R$ 5,193, a maior cotação desde o fim de janeiro. Segundo a B3, investidores estrangeiros já retiraram R$ 7,2 bilhões da Bolsa em agosto.

É a sequência de perdas mais longa do Ibovespa desde 2023, de acordo com o InfoMoney.

Parte da queda vem de balanços do segundo trimestre. A Hapvida (HAPV3) desabou 33,09% depois que a judicialização de processos veio pior do que o esperado, segundo analistas ouvidos pelo InfoMoney.

O Banco do Brasil (BBAS3) recuou 4,16%. O lucro superou as estimativas, mas a inadimplência subiu.

A Sabesp (SBSP3) caiu 7,04% e a Minerva (BEEF3), 7,60%, com sinais de demanda mais fraca no mercado de carnes.

Nem todo o mercado perdeu. A MRV (MRVE3) subiu 14,29%, puxada por resultado acima do esperado, enquanto a Ultrapar (UGPA3) avançou 5,08% e a CSN (CSNA3), 5,56%.

O que pesa na saída do investidor estrangeiro

Segundo o Jornal de Brasília, agosto é o segundo mês com o pior saldo estrangeiro do ano, atrás só de maio.

Na terça-feira (11), a saída somou R$ 4,72 bilhões em um único dia, a maior desde 22 de abril de 2021, conforme o Money Times.

O JPMorgan reduziu a recomendação para as ações brasileiras de "outperform" para neutra. O banco citou um ambiente macroeconômico mais desafiador, de acordo com o Jornal de Brasília.

Para a Empiricus Research, sem um ajuste fiscal a tendência é de juros mais altos, real mais fraco e inflação em alta.

Já o BTG Pactual chamou de "balanço preocupante" o resultado do Banco do Brasil, apontando deterioração no balanço patrimonial do banco estatal.

Analistas ouvidos pelo InfoMoney apontam um pano de fundo comum. A proximidade da eleição de 2026 aumenta a cautela do investidor estrangeiro, que reduz posições no Brasil enquanto o discurso dos candidatos sobre o ajuste fiscal ainda não está definido.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participou nesta quinta-feira da abertura do evento que marca os 30 anos do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), em São Paulo.

O que o mercado vai observar até a eleição

Nenhum dos fatores que pressionam o mercado (fiscal, juros e eleição) tem desfecho previsto para as próximas semanas.

A pergunta que fica é se o baixo saldo de agosto marca só uma pausa do estrangeiro no Brasil ou o início de uma saída mais longa, como a registrada em abril de 2021.