O Banco Central divulgou nesta segunda-feira (10) o Boletim Focus. O mercado manteve a estimativa para a Selic em 13,75% ao ano no fim de 2026 e reduziu a previsão de inflação de 5,03% para 5,02%, a sexta queda seguida. A Selic hoje está em 14%.

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) é o índice oficial de inflação do país, usado como referência pelo Banco Central.

A queda desta segunda é a sexta seguida nas projeções semanais. A estimativa para 2026 já esteve em 5,16% há quatro semanas e vem cedendo aos poucos.

O Produto Interno Bruto (PIB) também perdeu força na pesquisa. A estimativa de crescimento para 2026 caiu de 1,99% para 1,98%, depois de cinco semanas em que o número não se mexia.

O crescimento previsto para 2027 encolheu mais, de 1,57% para 1,52%.

A Selic é outra história. A projeção para o fim de 2026 ficou parada em 13,75% ao ano, mas a taxa que vale agora é mais alta.

O Copom (Comitê de Política Monetária), colegiado do Banco Central presidido por Gabriel Galípolo, cortou os juros de 14,25% para 14% ao ano na reunião encerrada em 5 de agosto.

A Selic hoje em vigor (14%) está 0,25 ponto acima da que o mercado projeta para o fim do ano (13,75%). Isso sinaliza que os analistas apostam em pelo menos mais um corte até dezembro, mesmo sem o Banco Central ter confirmado esse movimento.

O que muda no crédito e no bolso do consumidor

Selic mais baixa tende a baratear o crédito e estimular o consumo, segundo o Banco Central. O efeito inverso vale para juro alto, que freia a economia e incentiva a poupança.

Com a taxa ainda em 14% ao ano, o crédito no país segue caro. A queda projetada para os próximos meses ainda não chegou ao bolso do consumidor.

O dólar é o item mais estável da pesquisa. A projeção para o fim de 2026 segue em R$ 5,20 há oito semanas seguidas, sem alteração no boletim desta segunda.

O Boletim Focus é divulgado toda segunda-feira pelo Banco Central e reúne as projeções de bancos, corretoras e consultorias consultados pela instituição para os principais indicadores da economia.

Para 2027, a mediana do mercado projeta Selic de 12% ao ano, IPCA de 4,22% e dólar a R$ 5,28. Em 2028, os números caem para Selic de 10,50%, IPCA de 3,80% e dólar de R$ 5,30.

Até onde o corte vai

O boletim desta segunda não traz um novo corte de juros. Só confirma que o mercado ainda vê espaço para a Selic cair um pouco mais até dezembro.

O relatório do Banco Central registra apenas uma "desaceleração gradual da atividade econômica" no cenário doméstico, mesmo com o mercado de trabalho aquecido.

Falta saber se essa leitura basta para o Copom cortar de novo em setembro, ou se o corte segue só na planilha dos analistas.

O próximo Boletim Focus sai na segunda-feira (17), com as novas projeções semanais do mercado.