Trabalhadores dos Correios entraram em greve por tempo indeterminado nesta sexta-feira (11), em nove estados, depois que a negociação salarial terminou sem acordo no Tribunal Superior do Trabalho (TST). A paralisação foi aprovada em assembleia na noite de quinta (10). A categoria pede reposição da inflação e manutenção do plano de saúde; a empresa oferece reajuste de 5,13%.

Nove estados aderiram ao movimento. Ceará, Paraíba, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul tiveram paralisação, com 24 dos 36 sindicatos da categoria participando.

A proposta discutida no TST inclui reajuste salarial de 5,13% a partir de janeiro, com pagamento em abril, e aplicação de 100% do INPC a partir de agosto. Ela também prevê a renovação de 79 cláusulas do Acordo Coletivo de Trabalho, por dois anos.

Os sindicatos, reunidos na Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect), reivindicam reajuste com reposição da inflação, adicional de 70% nas férias, 200% para trabalho aos fins de semana e um vale-peru de R$ 2.500.

Entre as reivindicações está a manutenção de um plano de saúde mantido pela empresa, com custo menor para o trabalhador e atendimento ampliado.

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) publicou nota de apoio aos grevistas, reforçando as reivindicações da categoria.

A empresa respondeu ao movimento em nota.

Os Correios reafirmam seu compromisso com o diálogo responsável, a sustentabilidade da empresa e a preservação dos empregos.

A semana já registra duas greves em empresas públicas federais. A greve dos Correios chega dias depois de bancários da Caixa entrarem em greve nacional, movimento que também nasceu de impasse salarial em empresa pública.

O tamanho do prejuízo por trás do impasse

Os Correios fecharam o primeiro semestre de 2026 com prejuízo de R$ 5,6 bilhões, alta de 30,4% sobre o mesmo período de 2025. É o 16º trimestre seguido no vermelho, com R$ 3,16 bilhões negativos no primeiro trimestre e R$ 2,4 bilhões no segundo.

A crise é pano de fundo do impasse. A empresa pediu aval da União para mais R$ 7 bilhões em crédito um dia antes do início da greve.

Em greves anteriores da categoria, o TST já decidiu que a paralisação não é abusiva, mas autorizou o desconto dos dias parados. Em uma delas, a Justiça também fixou reajuste de 5,1% para os trabalhadores.

Nem toda a força de trabalho costuma parar nessas paralisações. Em uma delas, 91% do efetivo seguiu em atividade, reflexo dos serviços mínimos que a Justiça do Trabalho costuma exigir dos Correios.