O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta segunda-feira (7) banir a fabricante canadense Bombardier do mercado americano, a menos que ela passe a montar seus jatos em solo dos EUA. A Bombardier é a principal rival da brasileira Embraer no mercado de jatos executivos.

Em publicação na rede Truth Social, Trump escreveu:

Chega de vender Bombardier nos Estados Unidos. Os produtos deles não são bons o suficiente. Se querem nosso mercado, precisam fabricar aqui e parar de tratar a América como um cofrinho.

Mais da metade da receita da Bombardier vem do mercado americano. A empresa mantém mais de 2.800 fornecedores em 47 estados dos EUA.

No modelo Global 7500, mais da metade do custo de produção já é feito em solo americano, com asas no Texas e motores em Indiana. A montagem final, porém, acontece no Canadá.

A declaração de Trump veio um dia antes de o Canadá elevar tarifas sobre produtos americanos, subindo a taxa sobre o aço de 25% para 50% e criando taxas de 15% a 50% sobre centenas de outros itens. O governo canadense é comandado por Mark Carney.

Trump não detalhou como pretende executar o banimento nem anunciou uma tarifa formal contra a Bombardier. Ele já havia criticado o Canadá por dificultar a certificação de jatos Gulfstream fabricados nos Estados Unidos.

O que isso muda para a Embraer

A exigência de Trump é uma condição que a Embraer já cumpre. A empresa brasileira abriu sua primeira fábrica fora do país em 2011, em Melbourne, na Flórida. É lá que monta toda a linha de jatos leves Phenom, além dos modelos Praetor 500 e 600.

Diferente da Bombardier, que só monta no Canadá, a Embraer já cumpre em solo americano a própria condição que Trump está cobrando do concorrente.

Nenhuma nota da Bombardier, do governo canadense ou da própria Embraer sobre o episódio havia sido divulgada até a madrugada desta terça-feira (8).

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A disputa ocorre num momento de recorde para a divisão executiva da Embraer. Foram 155 jatos entregues em 2025, sendo 53 só no quarto trimestre.

Em agosto, a empresa já havia fechado a venda de mais 8 jatos para a companhia japonesa ANA, chegando a 23 pedidos só no Japão.

O mercado global de jatos executivos está avaliado em US$ 26,59 bilhões neste ano, com projeção de chegar a US$ 31,58 bilhões até 2031.

Aeronaves já estavam isentas do tarifaço que Trump aplicou a produtos brasileiros em julho, o que colocava a Embraer em posição mais confortável que outros setores exportadores do país. A ameaça contra a Bombardier amplia essa vantagem relativa no mercado americano.

O que acontece agora

Trump não fixou prazo nem mecanismo para o banimento, e o episódio ainda depende de uma resposta formal da Bombardier e do governo canadense.

A rivalidade entre as duas fabricantes tem outra frente recente. Em agosto, o BNDES aprovou financiamento de até R$ 3,7 bilhões para a Embraer exportar 19 jatos justamente ao Canadá.