Os Correios pediram garantia da União para contratar R$ 7 bilhões em empréstimo com quatro bancos privados. A operação, divulgada nesta quinta-feira (10) pela CNN Brasil e pela Folhapress, integra o plano de reestruturação da estatal. O pedido ainda depende de análise do Tesouro Nacional.

Segundo a Folhapress, a solicitação foi apresentada em 3 de setembro. O grupo reúne Banco ABC, Citibank, Deutsche Bank e J.P. Morgan. As instituições negociam um contrato de 15 anos, com carência nos três primeiros.

A taxa proposta equivale a 114,26% do CDI, referência usada nas operações financeiras. O percentual fica abaixo dos 115,13% do CDI do empréstimo anterior, conforme os documentos relatados pela Folhapress. Os dois contratos adotam o mesmo prazo de pagamento.

Quem paga se faltar dinheiro?

A União terá de honrar os pagamentos se conceder a garantia e os Correios deixarem de pagar. O Tesouro analisa a capacidade da empresa de cumprir o contrato antes de autorizar o aval. A operação ainda está nessa etapa.

O aval coloca o poder público como fiador da dívida da estatal. Segundo a Folhapress, a garantia ajuda a reduzir o risco para os bancos. O pedido envolve recursos de instituições privadas, com essa proteção condicionada à aprovação.

Segundo a CNN Brasil, os Correios já contrataram R$ 12 bilhões no fim de 2025. Desse valor, R$ 10 bilhões foram liberados em dezembro. Os R$ 2 bilhões restantes ficaram para 2026, dentro da primeira etapa da recuperação financeira.

O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, já discutia uma captação adicional em abril. Conforme a CNN, em maio as conversas passaram a trabalhar com R$ 7 bilhões. O pedido formal mantém esse montante e apresenta as condições do financiamento.

Quanto a empresa perdeu no semestre?

A empresa perdeu R$ 5,55 bilhões no primeiro semestre, somados os dois resultados trimestrais publicados pelos Correios. O prejuízo passou de R$ 3,16 bilhões no primeiro trimestre para R$ 2,39 bilhões no segundo. A melhora entre os períodos foi de 24,4%.

No balanço divulgado em agosto, a estatal informou receita líquida de R$ 4,01 bilhões no segundo trimestre. O valor cresceu 3,8% ante os R$ 3,86 bilhões do primeiro. A companhia mantém entre suas prioridades a revisão de despesas e contratos.

"O resultado acumulado do semestre permanece desafiador", informou a empresa em nota.

O plano também inclui venda de imóveis e recuperação das receitas. Segundo a CNN, o programa estimou R$ 1,5 bilhão com alienação de ativos. Os Correios anunciaram dois leilões em setembro, reunindo 13 lotes em sete estados.

Os imóveis desse anúncio ficam no Ceará, Espírito Santo, Goiás, Pará, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e São Paulo. A estatal programou sessões para os dias 10 e 17, com prédios comerciais e terrenos.

O que acontece agora

O Tesouro Nacional avaliará se concede a garantia ao novo empréstimo. Em paralelo, os Correios têm outro leilão de imóveis marcado para 17 de setembro, às 15h. A sessão será conduzida pela VIP Leilões, conforme o calendário divulgado pela empresa.