A Medida Provisória 1.394/26, assinada pelo presidente Lula (PT), proíbe a exploração e a publicidade de apostas de quota fixa no Brasil a partir de 6 de outubro. A medida tira do futebol uma receita de R$ 1,4 bilhão por ano.

As empresas de apostas têm até este domingo (5) para retirar suas marcas dos uniformes e materiais dos clubes. O patrocínio das bets responde, em média, por 20% da folha de pagamento dos times que fecharam contrato com o setor.

Patrocínio anual de casas de apostas por clube da Série A — levantamento da CNN Brasil, conferido em 02/10/2026
ClubeValor anual e operadora
FlamengoR$ 268,5 milhões (Betano)
CorinthiansR$ 150 milhões (Esportes da Sorte)
São PauloR$ 113 milhões (Superbet)
PalmeirasR$ 100 milhões (Sportingbet)
Atlético-MGR$ 62 milhões (H2Bet)
BotafogoR$ 55 milhões (VBet)
FluminenseR$ 52 milhões (Superbet)
VascoR$ 50 milhões (Sportingbet)
GrêmioR$ 46 milhões (Pitaco)
CruzeiroR$ 40 milhões (Betnacional)
SantosR$ 35 milhões (Novibet)
VitóriaR$ 20 milhões (7KBet)

Athletico-PR, Bahia, Coritiba e Internacional são os únicos clubes da Série A sem patrocínio de bets, e por isso ficam de fora do impacto direto.

Para os demais, o presidente do Flamengo projeta perda de R$ 430 milhões em receitas nos próximos anos só com o fim do contrato com a Betano.

O setor de apostas faturou R$ 36,9 bilhões no Brasil em 2025. As operadoras pagaram R$ 30 milhões cada para obter a licença de outorga do governo, o que gerou mais de R$ 2,5 bilhões em arrecadação pública.

Uma entidade do setor esportivo chamou a medida de "eleitoreira e irresponsável", por romper contratos em vigor. Um especialista jurídico foi além: classificou a MP como "uma aberração jurídica", por derrubar uma lei de dois anos e meio.

Nos bastidores, os clubes já reagem: cinco deles pediram ao STF um ano de prazo para se adaptar à MP, e o próprio Flamengo avalia vender até três jogadores para compensar o rombo no caixa.

O que acontece agora

A proibição vale a partir de 6 de outubro, mas a MP tem validade máxima de 120 dias, salvo aprovação pelo Congresso. Até lá, os clubes negociam prazo maior e buscam patrocinadores de outros setores para ocupar o espaço nos uniformes.

O ponto em aberto

A conta de quem fecha esse buraco ainda não tem resposta: os R$ 1,4 bilhão em patrocínios bancavam, em parte, a folha salarial dos elencos.

A mesma pesquisa que mostra 78% de apoio à proibição não mediu se o torcedor aceita pagar mais caro por ingresso ou streaming para compensar a perda.