Um cientista da Universidade de Copenhague questionou o anúncio da Anthropic de que sua IA, o Claude, descobriu sozinha um sistema de enzimas promissoras para biotecnologia. Mario Rodríguez Mestre disse neste fim de semana que ele e colegas estudavam as enzimas havia quatro anos.

A empresa por trás do Claude Opus 5.5 apresentou as conclusões de seu laboratório de biologia na semana passada, batizando as moléculas de ARTs. Mestre e colegas ainda não publicaram suas próprias conclusões sobre o mesmo tema.

Mestre identificou as enzimas pela primeira vez em 2022, buscando transcriptases reversas em fagos gigantes. Nos últimos três anos, ele e colegas usaram o Claude para escrever códigos e redigir manuscritos, compartilhando com a empresa descobertas sobre as enzimas.

Minha preocupação é que essas informações tenham sido usadas para treinar versões futuras dos modelos. Acho importante levantar essa possibilidade

disse Mestre, sobre sua própria pesquisa, em entrevista.

Para ele, a dúvida central não é se as ARTs já eram conhecidas, pois eram, mas se a IA chegou aos resultados por raciocínio próprio ou foi conduzida pelo trabalho que ele já havia feito.

Em comunicado divulgado no domingo (28/9), a Anthropic afirmou não ter conhecimento de nenhum trabalho publicado anteriormente que descreva o sistema ART, e negou que o Claude tenha sido treinado com transcrições de usuários.

Segundo a Anthropic, a principal contribuição do Claude foi identificar moléculas de RNA e uma proteína ligada à transcriptase reversa num sistema. Mestre discorda e afirma que seu grupo já tinha feito essa descoberta mais de um ano antes.

A Anthropic se comprometeu a atualizar os materiais do estudo para dar crédito ao grupo de Mestre. Eric Kauderer-Abrams, da empresa, negou à imprensa que o Claude tenha usado a pesquisa dele para chegar ao resultado. A controvérsia chega num momento sensível para a Anthropic.

Não é o primeiro caso do tipo

Preocupações semelhantes surgiram recentemente quando pesquisadores da OpenAI, rival que lançou o GPT-6.1 Sol, afirmaram ter resolvido um antigo problema matemático. Um matemático de destaque revelou que já vinha usando a IA da empresa havia algum tempo para tentar chegar à solução.

A empresa anunciou a descoberta do sistema parecido com o CRISPR há pouco mais de uma semana e se prepara para abrir capital com avaliação que pode chegar a US$ 2 trilhões.