O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, disse nesta sexta-feira (25) que o foco do jantar de Lula (PT) com empresários em São Paulo não é o mercado financeiro, mas quem já investe no país e precisa de razões para continuar.

Acho que o perfil não é a Faria Lima. Não tem um foco no sistema financeiro. O foco é falar para aqueles que investem no Brasil, para que eles continuem investindo no país. Mostrar um horizonte de possibilidades bastante interessantes que o país está vivendo.

A fala é de Haddad, ao chegar ao jantar. "O Brasil está num momento muito interessante para dar um salto na sua economia, em função de tudo que nós preparamos ao longo desses quatro anos", completou o ex-ministro da Fazenda.

O encontro reuniu o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e empresários como Luiza Trajano (Magazine Luiza), Milton Maluhy (Itaú Unibanco) e Rubens Ometto, da Cosan. É o segundo encontro de Lula com o setor produtivo em um mês, num esforço para reconquistar apoio.

Em agosto, o presidente já havia reunido banqueiros e empresários, entre eles Joesley Batista, no Palácio da Alvorada.

Haddad minimiza o distanciamento do empresariado

Haddad rebateu a ideia de que o governo é incompatível com a agenda do setor produtivo. "O governo progressista olha a base da pirâmide. O governo de direita não olha. Essa é a grande diferença", disse.

Para ele, isso não significa abrir mão do ajuste das contas públicas: o argumento é que responsabilidade social e fiscal andam juntas, não em lados opostos. A mesma lógica aparece na forma como o governo trata a meta fiscal mesmo no vermelho.

Questionado sobre a resistência de parte do setor produtivo, Haddad chamou a campanha eleitoral de um "ajuste de contas": "Você presta contas, você diz o que vai fazer, sobretudo num tema sensível", disse.

O que acontece agora

Faltam nove dias para o primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Lula segue tentando reduzir a distância com o empresariado antes da votação, enquanto Haddad disputa o governo de São Paulo contra o atual governador, Tarcísio de Freitas.