O Sul de Minas Gerais virou um dos centros da disputa internacional por terras raras, minerais usados em energia limpa e tecnologia. Ao menos três empresas estrangeiras mantêm projetos de mineração na região de Poços de Caldas, em diferentes estágios.
Na quarta-feira (30/9), a Lynas Rare Earths anunciou a compra da Meteoric Resources por cerca de A$ 968 milhões (R$ 3,5 bilhões), negócio que dá à australiana o controle do projeto Caldeira, em Caldas (MG).
A Meteoric foi uma das primeiras estrangeiras a comprar projetos na região, ao lado da também australiana Viridis Mining and Minerals, em 2023. Os dois projetos estão em licenciamento ambiental, com início de operação previsto para 2028.
Em abril, outra australiana, a Power Minerals, concluiu a compra do projeto Morro do Ferro, também em Poços de Caldas, por cerca de R$ 80 milhões, e segue em fase de pesquisa.
Por que Poços de Caldas concentra tanto interesse?
A região reúne cerca de um terço de todos os pedidos de pesquisa mineral de terras raras do Brasil. Segundo a Agência Nacional de Mineração, o país tinha 1.882 autorizações de pesquisa em 2025, das quais 361 só em Minas Gerais.
A corrida ocorre porque a China concentra cerca de 70% da produção mundial de terras raras e quase 90% do processamento e da fabricação de ímãs. Estados Unidos e União Europeia lideram a busca por fornecedores alternativos, e o Brasil entrou nessa disputa.
Nem todo mundo em Poços de Caldas vê a corrida com entusiasmo. Uma comissão interministerial do governo federal fez sete audiências públicas na região e reconheceu a gravidade das preocupações da população, defendendo licenciamento mais rigoroso e participativo.
Moradores apontam risco à qualidade da água e à saúde pela poeira da mineração, além do trânsito de rejeitos por áreas com barragens que guardam metais pesados e material radioativo.
O próprio estudo ambiental da Viridis reconhece risco "significativo" de estiagem na região entre 2030 e 2050.
O que acontece agora
Os projetos da Meteoric e da Viridis seguem em licenciamento ambiental, com operação prevista para 2028. A Prefeitura de Poços de Caldas criou um comitê para acompanhar o debate e dar transparência às próximas etapas.






























