O Goldman Sachs avalia que a eleição deste domingo (4) pode provocar forte movimento no dólar, nos juros e na Bolsa, dependendo de como o mercado interpretar o resultado. Os juros locais são, para o banco, a melhor aposta entre os ativos antes do pleito.

A aposta preferida do Goldman é uma posição no "miolo da curva de DI", apostando na queda das taxas de juro intermediárias. É uma leitura parecida com a do Banco Central, que descarta solavanco no câmbio mesmo após o corte da Selic.

Quais são os cenários para o dólar?

Num cenário fiscal visto como positivo pelo mercado, o Goldman projeta o dólar entre R$ 4,50 e R$ 4,80. Já num cenário de deterioração fiscal, com retorno do prêmio de risco, a projeção sobe para entre R$ 5,40 e R$ 5,80.

O dólar fechou em R$ 5,22 na quinta (1º), três dias antes da votação.

O BTG Pactual chega a cenários parecidos, mas associa cada um a um resultado diferente nas urnas. Numa eventual vitória de Flávio Bolsonaro, o banco projeta valorização do real de cerca de 5%, com o dólar perto de R$ 5.

Numa reeleição de Lula, a estimativa do mesmo banco é de desvalorização do real entre 10% e 15%, levando o dólar para a faixa entre R$ 5,70 e R$ 6.

Já a XP recomenda, em cenário de deterioração fiscal, priorizar ações mais defensivas ou expostas ao dólar, como Aura, Petrobras, Gerdau, WEG e Suzano.

O que a história recente ensina?

Nos primeiros turnos de 2006, 2018 e 2022, o índice MSCI Brasil acumulou ganhos de 4% a 7% entre o 1º e o 2º turno. A exceção foi 2022, quando houve correção de cerca de 15% no mesmo período.

Seis meses depois da eleição, o padrão se repete. Os ganhos somaram de 10% a 20% em 2006 e 2018, e a queda foi de cerca de 15% em 2022.

O Ibovespa teve alta de 1,85% puxada pelos bancos em agosto, setor sensível a esse tipo de notícia.

Ações de empresas mais dependentes do mercado interno costumam reagir ainda mais forte aos juros. A sensibilidade delas é de 2 a 3 vezes a do índice geral, segundo o banco. É o grupo que mais sobe ou desce com a eleição.

O ponto em aberto

O que o mercado fará na segunda-feira (5) depende menos do resultado da eleição do que da leitura que os investidores farão dele. O histórico mostra que a volatilidade costuma anteceder a direção definitiva.

Em 2022, o otimismo inicial com o 1º turno terminou em correção seis meses depois. O prêmio de risco embutido no dólar e nos juros só tende a diminuir quando a disputa deixa de ser incerteza.