As exportações da China subiram 36,3% em setembro ante o mesmo mês de 2025, segundo dados da alfândega chinesa divulgados nesta quarta-feira (14). O superávit comercial do país chegou a US$ 133,5 bilhões, o 2º maior valor mensal já registrado.

O resultado é o maior salto percentual anual desde julho de 2010 e acelerou frente aos 25% de agosto. As exportações chinesas somaram US$ 447,2 bilhões no mês, e o superávit acumulado de janeiro a setembro já soma US$ 938,1 bilhões.

Para o Brasil, maior fornecedor de soja e um dos principais de minério de ferro ao mercado chinês, o resultado tem duas faces. Do lado positivo, a demanda da China sustenta os preços de petróleo, minério de ferro, cobre e lítio.

Do lado de risco, produtos manufaturados chineses como carro elétrico, painel fotovoltaico, fertilizante e bens de consumo entram no Brasil a preços competitivos e pressionam a indústria nacional. A crise imobiliária chinesa já havia disparado a importação de aço barato no país.

O mecanismo por trás da enxurrada de manufaturados é conhecido: tarifas dos Estados Unidos sobre produtos chineses incentivam Pequim a redirecionar o excesso de capacidade para a América Latina em vez do mercado americano.

O Brasil, por sua vez, convive com tarifa adicional dos próprios EUA: uma sobretaxa de 25% sobre determinados produtos brasileiros, sob a Seção 301, está em vigor desde 22 de julho.

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O que o governo já fez

O governo brasileiro aplicou direitos antidumping definitivos, por até cinco anos, sobre aço pré-pintado da China e da Índia em janeiro, e sobre aço laminado a frio da China em fevereiro.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que o Brasil importa US$ 5 bilhões por ano em produtos chineses que já sofrem medidas antissubsídio em outros mercados. O país usa bem menos medidas compensatórias contra a China do que outras economias grandes.

O caso não é isolado: já em meados de setembro, com os dados de agosto, a China tinha batido recorde de exportação e ampliado a pressão sobre a indústria brasileira, então com alta de 25% ao ano.

No campo, o efeito é mais direto: enquanto o preço do milho caiu no mercado interno, a soja resistiu por causa da demanda chinesa, segundo dados do setor.

O que acontece agora

A China realiza, entre 5 e 10 de novembro, a Feira Internacional de Importação (China International Import Expo). O evento costuma sinalizar as intenções de compra do país para o ano seguinte, e é o primeiro termômetro sobre a demanda chinesa em 2027.