A Dívida Pública Federal (DPF) fechou julho em R$ 9,28 trilhões, alta de 0,22% sobre junho, segundo o Tesouro Nacional. O governo pagou R$ 61,91 bilhões a mais do que emitiu em títulos no mês, mas os juros acumulados sobre a dívida já existente somaram R$ 89,95 bilhões e levaram o estoque para cima.
O paradoxo tem explicação simples. Quase metade do estoque da dívida, 49,32%, está atrelada à Selic, e isso basta para a conta de juros sozinha empurrar o total para cima, mesmo em um mês de pagamento líquido positivo.
A composição da dívida, medida em junho, confirma o quadro. 49,32% do estoque são títulos pós-fixados pela Selic, 25,90% são corrigidos pela inflação, 21,04% são prefixados e 3,74% são papéis cambiais.
A trajetória é rápida. Em abril, a dívida estava em R$ 8,7 trilhões. Em três meses, o estoque cresceu para os R$ 9,28 trilhões de julho.
O quadro fiscal mais amplo ajuda a entender a pressão sobre a dívida. Em junho, o governo central fechou o mês com déficit de R$ 48,2 bilhões nas contas primárias.
A situação lembra outro paradoxo fiscal do mês. A arrecadação federal bate recorde e, ainda assim, o déficit sobe, porque o gasto cresce mais rápido do que a receita.
Em uma métrica mais ampla, que inclui estados e municípios, o quadro preocupa organismos internacionais. O FMI projeta que a dívida bruta do governo geral feche 2026 em 96,5% do PIB e ultrapasse 100% em 2027.
Analistas de mercado apontam que o risco não é uma crise imediata, mas a trajetória de longo prazo. Se o gasto público continuar crescendo mais que a arrecadação, o país tende a conviver com juros altos e menos investimento por mais tempo.
Nem todo indicador piorou. O prazo médio da dívida subiu de 4,01 para 4,05 anos, e a reserva de liquidez, que cobre os pagamentos futuros, cresceu para R$ 1,37 trilhão, suficiente para 7,81 meses de compromissos.
O risco que a reserva não resolve
O Tesouro destaca os números técnicos positivos, como o prazo mais longo e o caixa maior. Mas quase metade da dívida segue presa à Selic.
Isso significa que qualquer nova alta de juros tem efeito imediato sobre o tamanho do estoque, não importa quanto o governo pague em títulos naquele mês.



























