O Grupo Gennius, controlador das redes Habib's, Ragazzo e Tendall Grill, teve o pedido de recuperação judicial aprovado pela Justiça de São Paulo nesta segunda-feira (24), com dívida declarada de R$ 265,2 milhões. A rede tem 60 dias para apresentar aos credores um plano de reestruturação.

A decisão é do juiz Jomar Juarez Amorim, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A KPMG foi nomeada administradora judicial e vai acompanhar as contas do grupo durante o processo.

Se o plano não for aprovado dentro do prazo, o Grupo Gennius corre o risco de ter a falência decretada. O pedido reúne 178 pessoas jurídicas ligadas ao conglomerado, entre elas os sócios Antônio Alberto Saraiva e Belchior Saraiva.

As três marcas somam 151 unidades no país: 119 lojas do Habib's, 26 do Ragazzo e 6 churrascarias Tendall Grill.

O que muda para franqueados e fornecedores

O Grupo Gennius também é fornecedor de boa parte de suas franquias, e a fragilidade financeira do franqueador preocupa quem opera as lojas na ponta.

Um corte no fornecimento por parte de credores pode gerar efeito cascata em toda a rede, afetando o abastecimento das unidades franqueadas.

Por isso, o juiz determinou que fornecedores e prestadores de serviços essenciais não interrompam os contratos com o grupo enquanto a reestruturação é negociada.

"As operações do grupo seguem funcionando normalmente, mantendo o atendimento aos clientes, a rotina e a qualidade de suas unidades", informou o Grupo Gennius, em nota.

Como o setor lida com dívidas parecidas

A recuperação judicial no setor de alimentação não é novidade. A SouthRock, dona do Starbucks e do Subway no Brasil, pediu recuperação judicial com uma dívida da operação Starbucks de R$ 1,8 bilhão, mais de seis vezes o valor declarado pelo Grupo Gennius.

A Casa do Pão de Queijo entrou com pedido semelhante pouco depois, na esteira da crise da SouthRock.

O Habib's não é a única marca de consumo sob aperto financeiro neste ano. Na mesma semana, a Braskem recorreu à recuperação extrajudicial, instrumento jurídico diferente do usado pelo Grupo Gennius.

O Grupo Casas Bahia enfrenta crise parecida no varejo, e especialistas dizem que ela não se explica apenas pelos juros altos. São casos distintos, mas mostram a pressão sobre empresas de consumo endividadas no país.

A regra de quem pode recorrer à Justiça também mudou recentemente.

O STF validou lei que impede o devedor contumaz de pedir recuperação judicial, restrição voltada a empresas que usam sonegação fiscal como estratégia. Não é o caso do Habib's, cujo processo trata de dívida bancária e de fornecedores.

O que acontece agora

Cabe ao Grupo Gennius apresentar à KPMG um plano de reestruturação dentro dos 60 dias fixados na decisão. O plano precisa ser negociado com os credores antes de ir a votação.

Sem acordo dentro do prazo, o processo pode ser convertido em falência das 151 unidades das três marcas.