Romeu Zema (Novo) foi o primeiro entrevistado da série de sabatinas que a TV Globo promove com os seis presidenciáveis de 2026, ao vivo nesta segunda-feira (24). Na conversa de 40 minutos, ele defendeu prisão preventiva a partir da terceira ocorrência e citou o modelo do salvadorenho Nayib Bukele como inspiração para a segurança pública.

A entrevista foi conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli, dos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, logo após o Jornal Nacional. A transmissão teve sinal simultâneo pela GloboNews e pelo g1.

Zema foi questionado sobre economia, segurança pública, saúde, educação, previdência e corrupção, temas que devem se repetir nas próximas sabatinas da série.

O que os números mostram

Questionado sobre a dívida de Minas Gerais, estado que governou por quase oito anos, Zema afirmou: "nós temos uma dívida que, proporcionalmente, é menor do que era oito anos atrás".

Levantamentos do Correio Braziliense e da Rádio Itatiaia mostram que, em termos nominais, a dívida total do estado saiu de R$ 114,7 bilhões em janeiro de 2019 para R$ 201,1 bilhões em novembro de 2025, alta de 76,3% no período.

A parcela devida à União, especificamente, mais que dobrou nesse intervalo, de R$ 88,7 bilhões para R$ 177,5 bilhões.

O crescimento nominal decorre de uma liminar do Supremo Tribunal Federal que suspendeu o pagamento das parcelas da dívida com a União entre o fim de 2018 e outubro de 2024. Os juros seguiram incidindo sobre o saldo nesse período, sem novos empréstimos do estado.

Na parte de segurança, Zema disse que Minas Gerais tem taxa de feminicídio menor que a média nacional. Uma checagem da Agência Lupa contesta: a taxa brasileira é de 1,4 caso por 100 mil habitantes, e a mineira, de 1,6 por 100 mil habitantes.

Os números oficiais levantados pela checagem contrariam diretamente o que o candidato disse ao vivo. Os casos de feminicídio cresceram 4,4% em Minas Gerais entre 2024 e 2025, ritmo superior à alta de 4% observada no país no mesmo período.

A Lupa aponta ainda que a taxa de mortes violentas no estado subiu de 11,9 para 15,1 por 100 mil habitantes entre 2021 e 2024, período em que Zema já governava.

Sobre segurança, Zema propôs decretar prisão preventiva já na terceira ocorrência de crimes de menor potencial ofensivo, como furto e roubo, e citou o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, como inspiração ao criticar as audiências de custódia.

O modelo salvadorenho citado como inspiração é alvo de denúncias de organismos de direitos humanos por prisões arbitrárias, tortura, desaparecimentos e mortes sob custódia do Estado.

Zema também defendeu a privatização de estatais como a Petrobras, afirmando que "as empresas brasileiras hoje estão subavaliadas porque têm uma gestão muito ruim", e propôs criar um regime de trabalho por hora nas leis trabalhistas.

Sobre a Previdência, disse que só pretende mexer nas regras "à medida que a expectativa de vida aumentar". Na educação, prometeu multiplicar por dez o número de escolas em turno integral no país.

Relembre o caso

A sabatina desta segunda fazia parte do calendário de entrevistas que a Globo já havia divulgado com os seis presidenciáveis.

Zema chegou a ela um dia depois de desistir do debate promovido pela Band, alegando a ausência de Lula.

O tema feminicídio também está no centro da disputa mineira: os candidatos ao governo de Minas apresentaram propostas próprias contra feminicídio e facções na campanha estadual. A série de sabatinas da Globo com os demais presidenciáveis segue nos próximos dias, conforme o calendário já divulgado.