O IPCA-15, prévia oficial da inflação, caiu 0,40% em agosto, primeira deflação do índice em um ano e a maior queda desde agosto de 2022, quando recuou 0,73%. O resultado, divulgado pelo IBGE nesta quarta-feira (26), foi puxado pela queda de 6,25% na conta de luz residencial.
No ano, o índice acumula alta de 3,09%, e em 12 meses soma 4,24%, abaixo dos 4,52% do período anterior e dentro do teto de 4,5% perseguido pelo Banco Central. Além da energia, caíram os grupos Habitação (-1,41%), Transportes (-1,00%) e Alimentação e bebidas (-0,57%).
Por que a conta de luz caiu tanto
A queda de 6,25% na energia elétrica residencial veio da incorporação do bônus de Itaipu nas faturas de agosto. É um valor distribuído todo ano a milhões de consumidores, resultado do saldo apurado na conta de comercialização de energia da usina binacional no ano anterior.
A bandeira tarifária permaneceu amarela em agosto, com custo extra de R$ 1,885 a cada 100 kWh. Foi o quarto mês seguido da cobrança adicional, decisão mantida pela Aneel desde maio.
O alívio pode não durar
O resultado contrasta com o cenário que o próprio governo vinha sinalizando. Em julho, a União reduziu a geração das hidrelétricas como proteção contra o El Niño, movimento associado a risco de alta no custo da energia, não de queda.
A queda de agosto veio de um fator pontual, o bônus anual de Itaipu, e não de uma reversão da tendência apontada pelo El Niño.
É por isso que a deflação de agosto tende a ser um respiro pontual na conta de luz, não uma mudança de rota.
O grupo Transportes também ajudou a puxar o índice para baixo, com queda de 1,00% em agosto. Na mesma leva de notícias, o governo liberou R$ 3,15 bilhões em subsídio para segurar o preço da gasolina e do diesel.
O Copom já vinha cortando a Selic mesmo antes deste dado. Em ata publicada em agosto, o Banco Central usou tom mais cauteloso, mesmo após o quarto corte seguido, agora em 14% ao ano.
O ponto em aberto
Fica em aberto se agosto marca o início de uma trajetória mais confortável para a inflação, ou se é apenas o efeito passageiro de um bônus que não se repete todo mês.
O risco do El Niño, que já levou o governo a conter a geração das hidrelétricas, é o fator que pode reverter esse alívio nos próximos boletins.


























