O Campo de Búzios, da Petrobras, bateu recorde mensal de exportação de gás natural em agosto, superando 10 milhões de metros cúbicos por dia. O resultado veio da troca de membranas de remoção de CO2 em quatro plataformas no pré-sal da Bacia de Santos, sem a construção de nenhuma unidade nova.
O recorde mensal supera o patamar anterior, de 9,1 milhões de m³ por dia, registrado em março. No pico diário, a plataforma exportou 14,1 milhões de m³ em 6 de agosto, também recorde, superando os 13,9 milhões de m³ de julho.
Búzios fica a 180 km da costa do Rio de Janeiro, em águas ultraprofundas de 2,1 mil metros, no pré-sal da Bacia de Santos. Segundo a Petrobras, o ganho veio da otimização das unidades já existentes, e não da entrada de novas instalações em operação.
Como a Petrobras conseguiu o ganho sem obra nova
A modernização trocou as membranas de remoção de CO2 das plataformas P-74, P-75, P-76 e P-77, processo iniciado em 2025.
Com a troca, cada unidade teve a capacidade de exportação de gás ampliada de 1,5 milhão para 3 milhões de m³ por dia, o dobro do que exportava antes.
Por que o recorde interessa além da Petrobras
O recorde de Búzios acompanha uma sequência de marcas batidas pela companhia em 2026. A Petrobras já havia produzido 3,34 milhões de barris por dia no segundo trimestre, recorde da série histórica da empresa.
O país como um todo também bate recordes de produção. O Brasil produziu 19% mais petróleo em junho na comparação anual, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP).
O aumento da oferta doméstica interessa ao consumidor industrial. O gás importado via GNL custa, em média, US$ 20 por milhão de BTU, dez vezes mais caro que o preço americano e cerca do dobro do europeu, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI).
A companhia também aposta em uma frente bem diferente do pré-sal maduro. A Petrobras vem investindo R$ 13 bilhões na Margem Equatorial, projeto que a própria empresa justifica pelo declínio de longo prazo esperado no pré-sal.
O mesmo pré-sal que bate recorde agora é a bacia cujo esgotamento futuro motiva a aposta da Petrobras em nova fronteira exploratória.
O que acontece agora
As próximas plataformas do campo, a P-78 e a P-79, devem entrar em operação até 2027. A unidade Búzios 12, com capacidade estimada de 5,5 milhões de m³ por dia, tem início previsto para 2032, completando o plano de 12 plataformas no campo.


























