Uma enchente provocada pelo colapso de uma geleira na fronteira entre o Nepal e a China já matou 675 pessoas e deixou cerca de 2.500 desaparecidas, segundo balanço divulgado neste sábado (29). O Itamaraty informou que não há brasileiros entre as vítimas.

O balanço avançou rapidamente. Na quarta-feira (26), quando a tragédia começou, o Nepal contabilizava 160 mortos e 500 desaparecidos, número que mais que quadruplicou em três dias. Feridos já são 2.301, e mais de 400 turistas estrangeiros seguem sem paradeiro conhecido.

O salto no balanço reflete o avanço das equipes a vilarejos isolados pela destruição de estradas e pontes, cujo acesso piora com a chuva ainda prevista para os próximos dias.

A causa foi o rompimento de uma barragem natural formada por um bloco de gelo que se desprendeu de uma montanha no Tibete e caiu sobre o rio Lhende. Horas depois, a barragem cedeu e arrasou vilarejos ao longo do rio Trishuli.

As buscas foram retomadas neste sábado, após pausa por risco de nova enchente, com mais chuva prevista para o fim de semana. O Nepal recusou inicialmente ajuda internacional e depois passou a aceitar apoio técnico especializado.

Socorristas nepaleses têm condições de continuar as operações por conta própria

disse o ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, ao justificar a recusa inicial de ajuda estrangeira. O ministro das Finanças do país estimou em US$ 4 bilhões a US$ 5 bilhões o custo da reconstrução.

A tragédia se soma a outros desastres naturais de grande escala no noticiário internacional recente, como os terremotos que deixaram quase 5 mil mortos na Venezuela neste ano.

Em nota oficial de quarta-feira (26), o Itamaraty afirmou que "não há, até o momento, registro de brasileiros entre as vítimas". O governo disse ter recebido a notícia das tragédias no Nepal e no Tibete "com consternação" e manifestou solidariedade às famílias atingidas.

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Brasileiros que estejam no Nepal ou no Tibete podem buscar assistência pelos plantões consulares: +977 9801032381 (embaixada em Katmandu), +86 138 0121 0722 (embaixada em Pequim) ou +55 (61) 98260-0610 (plantão geral do Itamaraty).

Em outro episódio recente, o dos quatro tripulantes retidos num navio na Islândia, o canal consular também foi acionado rapidamente para prestar apoio.

O que acontece agora

As buscas seguem nos dois lados da fronteira, com equipes tentando alcançar vilarejos ainda isolados pela destruição de estradas e pontes. Novas chuvas previstas para o fim de semana podem atrasar ainda mais o trabalho de resgate.