A Justiça de São Paulo antecipou a blindagem de 180 dias contra ações e execuções de credores da Casas Bahia, que pediu recuperação judicial em 16 de agosto com um passivo de R$ 17,3 bilhões.

A decisão é da juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. O prazo, chamado de "stay period", começou a contar em 19 de agosto e termina em 15 de fevereiro de 2027.

A empresa pediu a antecipação depois de relatar à Justiça uma "corrida de credores" contra o patrimônio do grupo. O grupo reúne dez empresas, entre elas Casas Bahia, Ponto Frio, o e-commerce Extra.com e a fábrica de móveis Bartira.

Segundo a Casas Bahia, cerca de R$ 9 milhões foram bloqueados em poucos dias, logo após o pedido de recuperação judicial se tornar público. A companhia argumentou que a manutenção dos bloqueios poderia esgotar ativos e comprometer a operação.

É o mais recente capítulo de uma crise que já rendeu outras decisões judiciais neste mês. Cinco dias antes, a própria empresa havia desistido de cobrar R$ 422 milhões do Banco do Brasil, disputa aberta ainda antes do pedido de recuperação judicial.

O caso não é isolado. O Brasil fechou o primeiro semestre com 6.341 empresas em recuperação judicial, alta em relação ao ano anterior.

Uma reportagem nossa já havia mostrado que a crise da varejista não se explica só pelos juros altos.