O preço da soja disparou no Brasil e a saca já ultrapassa os R$ 160 em alguns portos. No Cepea/Esalq, o indicador de Paranaguá (PR) fechou a R$ 159,76 na sexta-feira (28), alta de 3,04% no dia; no Rio Grande do Sul, a saca chegou a R$ 161,50.
Outras praças também subiram: Ponta Grossa (PR) foi a R$ 156,50, Primavera do Leste (MT) a R$ 139,50, e Luís Eduardo Magalhães (BA) a R$ 143,50, todas com alta de R$ 3,50 a R$ 4 no dia.
O gatilho não é falta de produto, mas o ritmo de venda. Cerca de 82% da safra 2024/25 já foi negociada, e compradores disputam o volume que ainda resta no mercado.
Por que o preço sobe agora?
A exportação brasileira está "muito forte", segundo a consultoria AgRural, com até 10 milhões de toneladas a mais negociadas neste ano do que no mesmo período do ano passado.
O esmagamento da soja no país segue aquecido, e os prêmios pagos nos portos se mantêm elevados. Em Chicago, os contratos futuros de novembro subiram 1,58%, a US$ 12,88 por bushel.
O cenário também é monitorado por analistas como Luiz Fernando Roque, coordenador de inteligência da Hedgepoint Global Markets.
É um padrão parecido com o de outra commodity brasileira. A exportação de café também disparou mais de 50% em agosto, puxada pela demanda externa, mesmo com o preço do grão em queda no mesmo período.
A alta chega em meio à pressão de custos sobre o produtor. Em agosto, o preço do enxofre, insumo usado na lavoura, chegou a disparar 1.225%, o que ameaça travar parte da próxima safra.
A volatilidade também apareceu em outra ponta do agro. Uma falha em sistema do Cecafé derrubou o preço do café na bolsa dos Estados Unidos, episódio recente que mostra como o mercado de commodities reage rápido a qualquer ruído.


























