A ONU reconheceu nesta semana o projeto brasileiro Araticum, de restauração do Cerrado, como Iniciativa de Referência da Restauração Mundial, na COP17 da Convenção de Combate à Desertificação, em Ulaanbaatar, na Mongólia. Com a distinção, o Brasil passa a ser o único país do mundo com dois projetos reconhecidos pela ONU no gênero.
A Araticum reúne mais de 180 organizações, povos indígenas, quilombolas, comunidades locais, pesquisadores e produtores rurais em nove estados. A meta é restaurar 2 milhões de hectares do Cerrado até 2030; até agora, 27 mil hectares já estão mapeados em processo de restauração.
O desafio tem essa escala porque o Cerrado cobre mais de 2 milhões de km² e já perdeu mais da metade da vegetação nativa. A degradação atinge diretamente os direitos de povos indígenas e comunidades tradicionais, a produção de alimentos, a água e o clima.
O projeto usa regeneração natural, semeadura direta, restauração ecológica e sistemas agroflorestais, com sementes de mais de 150 espécies nativas.
Ao todo, a ONU já reconheceu 30 iniciativas como essa no mundo, que juntas geraram mais de 800 mil empregos.
"Restaurar o Cerrado significa cuidar do nosso clima, da nossa água e do nosso futuro", diz Fabrícia Santarém, representante da Araticum.
O outro projeto da ONU
O Brasil já tinha um projeto no mesmo clube. O Pacto Trinacional da Mata Atlântica, entre Brasil, Argentina e Paraguai, foi reconhecido em dezembro de 2022, com meta de restaurar 15 milhões de hectares do bioma até 2050.
O modelo já deu resultado prático. Em 2025, o desmatamento na Mata Atlântica caiu 40%, a menor área devastada desde o início da série histórica de monitoramento, de 14.366 para 8.658 hectares.
O que acontece agora
A Araticum segue mapeando novas áreas por uma plataforma própria de monitoramento, hoje com 27 mil dos 2 milhões de hectares planejados até 2030. O ritmo dos próximos anos vai dizer se o Cerrado repete o que a Mata Atlântica já mostrou.
O que o precedente sugere
A mesma chancela da ONU, aplicada à Mata Atlântica três anos antes, coincidiu com a menor taxa de desmatamento já registrada no bioma. Não é garantia de repetição, mas é o único caso brasileiro comparável para medir se o reconhecimento internacional vira floresta de pé.


























