Um urologista em Santiago, no Chile, comandou remotamente a cirurgia que retirou a próstata de um paciente internado no Hospital do Rim, em Goiânia, na terça-feira (25). A distância entre os dois foi de quase 3 mil quilômetros, e o procedimento usou o robô cirúrgico Toumai, de fabricação chinesa.
O procedimento foi uma prostatectomia radical robótica, cirurgia de retirada total da próstata.
Quem comandou os braços do robô à distância foi o urologista Marcelo Andrés Orvieto Sagredo; em Goiânia, o cirurgião Marco Túlio Alves Cruvinel acompanhava presencialmente o paciente.
É a primeira telecirurgia internacional do Centro-Oeste brasileiro, e a primeira prostatectomia feita por telecirurgia em Goiás. O paciente ficou acordado logo após o procedimento e segue em recuperação; a identidade dele não foi divulgada.
Como a telecirurgia funcionou?
A conexão entre Santiago e Goiânia usou duas fibras óticas independentes, rede 5G redundante e uma VPN dedicada, mantendo a resposta dos comandos abaixo de 200 milissegundos. O procedimento durou menos de duas horas.
O Toumai é fabricado pela MicroPort, empresa chinesa, e distribuído no Brasil pela Hospcom. Criado em 2014, o sistema fez sua primeira cirurgia em 2019, em Xangai.
Ele compete com o Da Vinci, sistema americano que já opera em hospitais brasileiros, como o Hospital Santa Júlia, que iniciou cirurgias robóticas com o Da Vinci X. A proposta do fabricante chinês é reduzir o custo da cirurgia robótica e expandir operações à distância.
A telecirurgia já vinha ganhando espaço no país por outra via. Em 2025, um hospital filantrópico brasileiro chegou a realizar uma telecirurgia pelo SUS, mostrando que a tecnologia não fica restrita à rede privada.
A prostatectomia é indicada em casos de câncer de próstata que exigem retirada da glândula. O tratamento da doença no Brasil ganhou novas opções liberadas pelo Conselho Federal de Medicina nos últimos anos.


























