O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse a aliados que a indicação de Gabriel Galípolo para o Banco Central foi sua maior traição política, à frente até da atribuída a Antonio Palocci. A informação foi publicada pelo Poder360 neste sábado (29).

A comparação carrega peso simbólico. Palocci, ex-ministro da Fazenda e um dos nomes mais próximos de Lula nos primeiros governos do PT, acusou o petista de receber propina durante a Operação Lava Jato, acusação que Lula sempre negou.

A primeira origem do desconforto é o depoimento de Galípolo à CPI do Banco Master, em 9 de abril, quando isentou o ex-presidente do BC Roberto Campos Neto de responsabilidade pelo caso, na contramão da estratégia do PT de concentrar a culpa em Campos Neto.

Não há, em nenhum processo de auditoria ou de sindicância, nada que encontre qualquer culpa por parte do ex-presidente Roberto Campos Neto

disse Galípolo à comissão, segundo o relato reproduzido pelo Poder360. Seis dias depois, em 15 de abril, Lula cobrou publicamente explicações do presidente do BC.

A segunda origem é a Selic. Lula queria corte mais rápido em ano eleitoral e cobrou que Galípolo "consertasse os juros", mas o Copom manteve o ritmo cauteloso mesmo após a quarta redução seguida da taxa, hoje em 14%.

Em agosto, a ata do Copom trouxe um tom mais duro e passou a falar em calibrar não só o ritmo, mas a extensão dos próximos cortes.

O caso Banco Master segue como risco político para o governo. A Polícia Federal apura se dois ex-diretores do BC, Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana, receberam propina do banqueiro Daniel Vorcaro para dar tratamento favorável à instituição, hoje sob liquidação extrajudicial.

Pesquisa PoderData de 25 de junho atribui a Lula a culpa pelo escândalo do Master para 54% dos entrevistados, contra 29% que apontam Bolsonaro. O retrato eleitoral mais recente de 2026 mostra a distância para Flávio cada vez menor no 1º turno.

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O Banco Central tem autonomia formal desde 2021, por lei complementar aprovada ainda no governo Bolsonaro. Na prática, a tensão relatada mostra os limites dessa autonomia.

O indicado por Lula age agora em desacordo com a conveniência política de quem o nomeou. Nem o Banco Central nem Galípolo comentaram publicamente o relato até a publicação desta matéria.

O que acontece agora

A CPI do Banco Master segue em andamento no Senado, e o Copom volta a se reunir em setembro para decidir os próximos passos da Selic. Vorcaro permanece preso preventivamente enquanto avança o inquérito sobre supostos repasses a ex-diretores do BC.