O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou nesta quinta-feira (20) a remoção de um vídeo feito com inteligência artificial que associa o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao banqueiro Daniel Vorcaro. O perfil que publicou o conteúdo e a Meta têm 24 horas para tirá-lo do ar.

O pedido foi apresentado pela campanha de Flávio, que também concorre à Presidência da República em 2026.

O vídeo é uma paródia musical publicada em 14 de agosto no perfil "Brasil Sátira do Poder", no Instagram. Ele mostra os dois abraçados em cenários luxuosos, com referências à bandeira americana.

Cartazes no vídeo imitam peças da campanha real de Flávio, mas trocam o nome por "Flávio do Vorcaro", com o V em destaque.

Ao analisar o pedido, Mendonça identificou indícios de uso irregular de inteligência artificial.

"As imagens reproduzem de forma realista a aparência de Flávio e o colocam em cenários e situações inexistentes", escreveu o ministro na decisão.

A decisão também obriga a Meta a fornecer os dados cadastrais do perfil responsável pelo vídeo, que mantém uma campanha de financiamento coletivo na plataforma Vakinha, com prazo de 24 horas.

O TSE tem regras específicas para o uso de inteligência artificial na propaganda eleitoral de 2026. Conteúdo de IA que reproduz a aparência de uma pessoa real precisa vir com aviso ostensivo, o que não aconteceu no vídeo.

Quem é Daniel Vorcaro

Daniel Vorcaro é o ex-controlador do Banco Master, banco liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 após a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, apurar fraude bancária. Ele está preso desde então.

O rombo é estimado em R$ 41 bilhões para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o maior já registrado na história do fundo.

O vídeo ficou no ar por seis dias. Publicado em 14 de agosto, a ordem de remoção só saiu nesta quinta-feira (20).

O teste das novas regras contra deepfake

É um dos primeiros casos em que o TSE aplica as regras de 2026 sobre inteligência artificial na propaganda eleitoral. Com a votação marcada para outubro, a decisão deve servir de parâmetro para os próximos pedidos de remoção de conteúdo gerado por IA.