O desemprego no Brasil ficou em 5,3% no trimestre até agosto, informou o IBGE nesta terça-feira (29/9), o menor índice para o período em toda a série histórica da Pnad Contínua, iniciada em 2012. A população ocupada bateu recorde: 103,5 milhões de pessoas.
A taxa de desemprego já estava em 5,3% no trimestre até julho. O IBGE evita comparar diretamente intervalos com meses repetidos, como julho e agosto.
Um trimestre antes, em junho, a taxa foi de 5,4%, também o menor para o período desde 2012.
A comparação oficial do IBGE é sempre com o mesmo trimestre do ano anterior.
Nessa base, a queda é de 0,3 ponto percentual: a taxa era de 5,6% no mesmo trimestre de 2025. A população desocupada caiu para 5,8 milhões de pessoas, 300 mil a menos que um ano antes.
O rendimento médio subiu junto com o emprego. O trabalhador brasileiro ganhou, em média, R$ 3.777 por mês, valor 3,7% maior que um ano atrás. A massa total de renda (R$ 385,6 bilhões) também é recorde da série.
O que puxa o número para baixo
O que puxa o número para baixo é a informalidade, que cresce junto com o emprego formal. A taxa de informalidade chegou a 37,5% da população ocupada, ante 37,3% no trimestre anterior, quase 39 milhões de brasileiros sem carteira assinada ou CNPJ.
O recorde de emprego formal já convivia com informalidade em alta em agosto, segundo reportagem publicada no mês passado.
Parte dessa informalidade vem dos aplicativos. O trabalho por app cresceu 37% em 3 anos, mas paga 12% menos por hora do que ocupações equivalentes fora das plataformas, segundo levantamento anterior.
O padrão não é novo: uma análise de agosto já mostrava o desemprego resistindo aos juros altos, enquanto a renda sentia mais o aperto do Banco Central.
Parte da queda no desemprego também é efeito do envelhecimento da população, que tira gente da fila por emprego sem gerar mais vagas. Com menos jovens entrando no mercado, a taxa de desocupação cai mesmo sem o país criar postos de trabalho suficientes para todos.
O ponto em aberto
O desemprego mais baixo da série não resolve a pergunta sobre a qualidade do emprego brasileiro. Quase 4 em cada 10 trabalhadores ocupados seguem na informalidade, sem os direitos e a proteção previdenciária da carteira assinada.
A pergunta que fica é se as próximas políticas de emprego vão medir sucesso pela quantidade de vagas ou pela qualidade delas.





























