A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,3% no trimestre encerrado em julho, a menor da série histórica para o período, segundo o IBGE. A população ocupada chegou a 103,3 milhões de pessoas, recorde, e o emprego com carteira assinada no setor privado também bateu recorde, com 39,4 milhões de trabalhadores.
Em relação ao trimestre anterior, encerrado em abril, a taxa recuou 0,5 ponto percentual, de 5,8% para 5,3%. Na comparação com julho do ano passado, a queda foi de 0,3 ponto.
O número de desocupados caiu para 5,82 milhões de pessoas, retração de 8% em três meses. O resultado dá sequência a uma queda constante. No trimestre até junho, a taxa já era recorde, em 5,4%.
A taxa composta de subutilização da força de trabalho, que soma desocupados, subocupados e quem poderia estar trabalhando mas não procura vaga, caiu para 13%. Os trabalhadores desalentados somaram 2,3 milhões, queda de 14,1% em 12 meses.
"A população ocupada está aumentando e tirando pessoas da desocupação", afirmou o analista do IBGE William Kratochwill ao comentar o resultado.
Onde o emprego cresceu
A construção civil foi um dos setores que mais contratou no período, com 371 mil novos postos, alta de 5,1%. Parte do impulso de renda vem de um salário mínimo em trajetória de alta real.
O rendimento médio real subiu a R$ 3.762, alta de 3,3% em 12 meses. A massa de rendimentos pagos aos trabalhadores somou R$ 383,5 bilhões, recorde da série, 4,1% a mais que um ano antes.
Nem todo o emprego novo veio com carteira assinada, porém. A taxa de informalidade subiu de 37,2% para 37,5% da população ocupada, equivalente a 38,8 milhões de trabalhadores sem FGTS, férias remuneradas ou décimo terceiro garantidos por lei.
O recorde de carteiras assinadas e o avanço da informalidade estão acontecendo ao mesmo tempo, dentro do mesmo mercado de trabalho.
A qualidade do emprego gerado também aparece em outros indicadores. Um levantamento recente mostrou que o hiato salarial entre homens e mulheres cresceu no país, mesmo com a lei da transparência salarial em vigor.
O que a TV Sim observa
O Brasil registra, ao mesmo tempo, o maior número de trabalhadores com carteira assinada da série histórica e o avanço da informalidade dentro da própria população ocupada.
Os dois recordes não se cancelam. Mostram que a recuperação do mercado de trabalho tem gerado emprego em ritmos diferentes, entre o posto formal e o informal, e que a mínima histórica de desemprego não fecha sozinha a pergunta sobre a qualidade das vagas criadas.




























